Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Bebedeiras e Filhos

Crónica de 07 / 06 / 2016

MÃE

Ora aí está um tema de uma sociedade moderna, porque prevê que haja igualdade! :)

No meu caso, o regresso ao consumo deu-se muito cedo, porque não consegui amamentar e decidi compensar-me com esse prémio. Nesta fase um copo bastava para ficar zonza e praticamente mais feliz que uma teenager a sair à noite pela primeira vez.

Depois o tempo foi passando, e, em vez de 1, consegues beber 2. E ainda estás óptima.

Depois vem o verão, os jantares e almoços, o treino! E aquele ano e tal que ficaste sem beber parece que não aconteceu nunca.

Mas calma, nunca fiquei sem conseguir falar ou a arrastar-me. Ou seja, nunca mais voltei a apanhar uma verdadeira bebedeira.

Mas a minha filha já sabe dizer vinho e cerveja. Pelo que tive de definir um marco. E, para mim, o marco é o momento em que eu me possa tornar diferente, o marco onde ela note que a mãe mudou de comportamento.

Nunca mais voltei a fumar porque não consigo fumar ou cheirar a tabaco ao pé dela. Mas aquele copo de vinho ao final do dia, aquele copo que te tira as máquinas de roupa das costas, e os brinquedos que apanhaste 100 vezes cada, a esse copo de vinho eu afeiçoei-me.

E se o Marco Paulo tem dois amores, não posso eu também ter?

PAI:

Bebedeiras ao pé dos filhos?
Se querem que vos diga, provavelmente eles até foram sido concebidos numa noite em que se bebeu demais.
Para eu ter conseguido convencer a mãe, provavelmente foi isso que aconteceu…
Mas como sucede com a maioria, depois de as crianças nascerem os meus hábitos de consumo regraram-se.
Salvo exceções, claro.
Por uma questão de princípio (e de segurança rodoviária), quando vamos para uma almoçarada/jantarada sou eu quem leva o carro no percurso de ida.
Assim fico com um bocadinho mais de legitimidade para, no regresso, assumir que “é melhor levares tu o carro.”
À parte disso, a verdade é que eu sempre sofri de um “problema”.
Não é uma desculpa, ok?
Eu assumo na boa que gosto de beber e de beber demais.
Mas tenho de facto uma particularidade que é a seguinte: eu sou um tagarela, falo pelos cotovelos, mas salivo muito pouco – o resultado é que fico a garganta muito seca.
Por causa disso tenho que estar sempre a beber quando estou à conversa.
É evidente que podia perfeitamente beber água que, já se sabe, é o melhor hidratante.
Mas eu prefiro outros líquidos…
Quando era (ainda) mais puto e me preocupava com a minha imagem, bebia um gin tónico seguido de uma água tónica, e assim sucessivamente – bebida alcoólica, bebida não-alcoólica…
Assim conseguia passar a noite a beber (e a humedecer a garganta por causa do meu problema) mas sem dar parte fraca aos amigos de copofonia que não imaginavam que aquele copo de bebida transparente com gelo, uma rodela de limão e bolhinhas era apenas água tónica.
Hoje prefiro emborcar cerveja que, pelo seu baixo teor alcoólico, me permite consumir doses generosas de lubrificante sem chegar a passar vergonhas.
Geralmente a coisa acaba em bem.
Mas a minha família é generosa (a minha mãe teve 12 irmãos) e quando se juntam os primos (somos muitos e damo-nos bem) é impossível manter um grau de sobriedade irrepreensível.
Eu sou um entusiasta e gosto daquela exaltação da amizade, o que hei de fazer?
Só uma vez é que tive que vir na marginal com a cabeça de fora a apanhar vento na tromba depois de um almoço que durou quase até ao jantar no Saisa.
Mas isso foi no tempo das vacas gordas; o meu manito olhou para a conta, exclamou qualquer coisa como “porra, isto é mais do que um ordenado mínimo”, eu levantei-me para ir pagar e nessa altura percebi que tinha virado o boneco.
Vinha de janela aberta e expliquei aos miúdos que o pai estava mal disposto porque tinha comido demais, eh eh (não deixava de ser verdade).
Fora essa vez, bebo o que me apetece mas numa espécie de excesso moderado que me sabe lindamente.
A mãe traz o carro e acaba tudo em bem…

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