Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Quando é válido deixar as crianças para ir curtir?

Crónica de 15 / 06 / 2016

MÃE:

Nem sei bem por onde começar a resposta…

1) Eu era um animal social que precisava sair à noite 2 a 3 vezes – às vezes mais, confesso – por semana. Depois fui mãe. E 2 ou 3 vezes são as vezes que sai desde que ela nasceu. E até à meia noite.

2) Eu tenho eventos a que gostava muito de ir e sítios que gostava muito de visitar. E se em muitos a posso incluir, num certamente não posso: abana o esqueleto até às tantas da manhã. Hoje em dia a dificuldade está em perceber se o meu próprio esqueleto aguentava de pé depois da meia noite.

3) Esporadicamente, já sai sem a Clara. Ora paguei a alguém, ora alguém da família ficou com ela. Acontece que ninguém cobre o pior dos períodos de sair sem filhos: o chamado “dia a seguir”. Porque sim, no dia a seguir as criaturas não estão nem aí para o facto da malta ter estado numa farra. E pagar um salário a alguém que fique com ela só para ir beber uns copos parece-me despropositado quando posso beber os copos em casa e poupar um salário (que além do mais não recebo).

4) Eventualmente estou velha. É um argumento que me custa a abraçar mas que me sussurra regularmente. Porque, regularmente, penso que já sai tanto, já fiz tanto, já dancei tanto, já fiz tanto tanto, que não há nada que eu de facto esteja a perder. E não me chateia a ideia de recuperar o tempo na velhice, tipo cota com uma garrafa de rum num cruzeiro nas Caraíbas.

Posto isto, continuo a não saber por onde começar. Pela primeira vez, sinto-me uma menina no que toca a este tema! Mas também não faz mal porque eu sou rapariga que não fica sem saber o que dizer então, não sabendo por onde começar, sei por onde acabar:

Não são caretas os que ficam em casa nem são negligentes os que não ficam. São felizes os pais que fazem por ser felizes. E são felizes os filhos dos pais que fazem por ser felizes.

Haja alegria. E Casal Garcia :)

PAI:

SEMPRE!
É sempre válido largar os filhos para curtir.
Quem me dera a mim ser rico, ter uma mansão e criadagem com fartura, e poder deixá-los entregues a amas, avós e perceptoras para me ir encher de música e cerveja ou de carros e champanhe.
Agora o pai vai para o Mónaco ver o Grande Prémio.
Agora o pai vai para Glastonbury.
Agora o pai vai para o Le Mans ver as 24h.
Agora o pai vai para o South by Soutwest e volta daqui a 15 dias.

Os pais merecem tempo de qualidade sem os filhos e os filhos merecem tempo de qualidade sem os pais.
Sei bem do que falo porque amo os meus filhos mas os meus melhores dias do ano são aqueles que passo sem eles.
Eu não nasci pai; já tinha uma vida antes de os ter a eles.
Eles vieram completar-me a mim e à minha vida; vieram virá-la do avesso, mas não vieram alterar a essência daquilo que eu sou.
Há 5 anos atrás descobri um grande amor: o NOS Primavera Sound no Porto.
Desde a 1ª edição que aqueles dias são as minhas férias a sério.
Eu adoro as férias com os miúdos, note-se.
Mas se vocês não tiverem 4 filhos e um cão dificilmente vão perceber a trabalheira que é estar de férias com uma equipa de futsal.
As horas à procura de um sítio barato onde possa ficar a família toda mais a cadela, as horas a preparar sandes para o almoço, as horas a passar protetor solar, as horas a contá-los na praia num 1,2,3,4 – 1,2,3,4 – 1,2,3,4 que nunca acaba…
As horas que se gastam para que depois não se consiga ter um minuto sequer de descanso na praia para dormitar ou passar os olhos pelo jornal.
Eu não me estou a queixar, longe disso – tive 4 filhos porque quis!
Estou a escrever nestes termos para que percebam que nas férias com eles não há grande relax e acabo por descansar menos do que gostaria.
Estou a traçar este cenário para que percebam a importância que tem para mim ir ao Primavera, escolher um qualquer hostel baratucho e passar 3 dias a rebolar na relva do Parque da Cidade, a ouvir as minhas bandas favoritas e a beber a cerveja que me apetece sem estar preocupado com os banhos e o jantar. E muito menos estar preocupado com o programa do dia seguinte e o facto de às 8 da manhã já estar toda a gente a pé.
Mas este entusiasmo tinha um efeito secundário: a depressão de vir do Porto, no fim do Primavera, a pensar que faltavam 262 dias para as férias.

No ano passado descobri um outro amor: o Vodafone Paredes de Coura.
Ahh, Paredes de Coura… a música, a praia do Tabuão, a relva, a cerveja, comer e beber e dormir sem horas…
Enfim, férias a sério…

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