Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Caravanismo: para cotas, freaks ou surfistas?

Crónica de 05 / 07 / 2016

Nunca tinha andado de auto-caravana. Mas já tinha ouvido vários rumores de haver um preconceito contra caravanistas.

Pelo que fui percebendo, a legislação foi, inclusive, alterada há uns anos por haver abusos da parte dos mesmos, nomeadamente na ocupação do espaço livre.

Apesar de nunca ter feito caravanismo este era o único que me interessava: o selvagem ou em espaços livres.

A verdade é que depois de trabalhar num Parque Natural e viver no meio do mato, um parque de campismo é igual a ver um animal selvagem numa jaula versus vê-lo no seu habitat natural. E eu que até já tinha sigo apanhada, literalmente, com as calças na mão pelo rugido de um leão, tenho a certeza quando digo: mil vezes ao ar livre.

Sendo então uma menina de primeira viagem nestas coisas não pude deixar de notar algumas coisas:

– todos os locais por onde passei e onde parei estavam altamente limpos. Havia, apenas – com muita pena minha – uma espécie de bolas de neve presas nos arbustos que, depois de analise detalhada, percebi que eram os papeis higiénicos dos xixi das meninas…

– existe uma população diferente de caravanistas quanto mais a sul estamos: enquanto a maioria dos caravanistas até ao Algarve são cotas e estrangeiros, a partir do Algarve aparecem mais surfistas. Nada contra, mas percebe-se que a onda é diferente e o perfume do ar mais aromatizado :p

– a maioria das pessoas talvez seja mais velha, sim. Mas quem me dera chegar a velha assim! Só a titulo de exemplo, conheci um casal chinês que vinha desde a China com a filha; outro alemão que estava agora a regressar a Alemanha depois de ir até à Mongólia e ainda outro casal alemão com 3 filhos, a passar a licença de maternidade do mais novo a viajar.

– sim, as crianças são quem mais beneficia! Brincar na terra, na areia, com restos de objectos já não identificáveis só vos posso dizer isto: nunca passaram tão rápidas as 24 horas do dia que passo com a minha filha. Fez amigos, aprendeu alemão, rebolou nua na areia, brincou com crianças com quem não trocava puto de palavras. Amou. E eu amei isso tudo.

– pensar numa caravana e em caravanismo é como pensar num carocha quando se pensa num carro: é só uma modalidade. Existem tanques de guerra, mansões sobre rodas, T3 e T4 com vários WC. A ideia que é só um colchão na parte de trás do carro é completamente desactualizada. Eu. aliás, comprovei isso mesmo ao viajar neste carro.

Para quê esta crónica? Para dizer que ganhei muito respeito a esta “modalidade”. Que fiquei fã e acho até muito mais ecológica e amiga do ambiente que outras versões de turismo, que quero repetir, e que dava facilmente a volta ao mundo numa carripana t3 com 2 wc :))

Como em tudo na vida, há pessoas que podem respeitar menos o espirito da “coisa”. Mas isso é das pessoas e não das “coisas”.

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