Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

ROADTRIP 3: Planos em férias: sim ou não?

Crónica de 06 / 07 / 2016

Fiz recentemente um curso de coaching onde aprendi imenso, acima de tudo, sobre mim. Nada de novo mas, às vezes, quando alguém sistematiza quem somos e o que fazemos toda a nossa vida faz mais sentido.

Neste caso particular, tinha a ver com a relação das pessoas com o tempo: há quem seja uma pessoa “no tempo”, e vive as coisas mais no momento, e há quem seja uma pessoa “através do tempo”, e tem mais capacidade de planear e prever.

Ora eu sou… 200% no tempo! :)

Eu vivo o agora, o hoje, o já. Eu estou sempre atrasada. Eu fico sempre mais um bocado acordada. Eu não deixo para amanhã o que posso fazer hoje.

Mas, como todos os seres humanos, eu preciso de segurança pois esta dá-me aquela (por vezes falsa) sensação de que está tudo bem.

Assim desenhei um plano, um roteiro (que podem ler aqui) que harmonizava os meus dois lados: a garota que queria fazer caravanismo selvagem porque não gosta de se sentir presa (falei disso na primeira CPR – Crónica Pós-Regresso – aqui) com a garota que acredita encontrar na segurança mais não seja a certeza que não falhará à sua filha.

Mas… já vos disse que sou 200% eu rapariga “no tempo” não já? Portanto o meu plano era um plano teórico. E, na prática, a teoria é sempre outra :)

Percebi, não fosse eu já saber bem, que os planos são muitas vezes processos que nos dão segurança mental mas que podem não corresponder à realidade;

Percebi que férias e planos são como azeite e vinagre: deixa-os lá estar separados na essência para juntar só a gosto!

E percebi que, a vida vivida assim, ao minuto, ao segundo, ao compasso do teu coração, a quem tens de ouvir sempre pois é ele que te diz qual a próxima decisão a tomar, percebi que, para mim, é como viver como peixe na água.

O nosso instinto nunca falha e, ouvi-lo é a melhor coisa que fazemos na vida. Eu sou boa nisso, com todo o preço a pagar por ser assim.

Em termos de férias o que isto significa?

– Significa que, nem sempre as praias que eu tinha escolhido parar eram boas porque não pensei se tinham ou não “estacionamento com vista”, o que para mim importava.

– Significa que, em algumas das praias onde tinha escolhido parar era proibido estacionar uma auto-caravana então tive de decidir, em cima da hora, se ia para trás ou para a frente.

– Significa que, quando por vezes as praias que escolhi ficavam a kms do estacionamento, eu acabei por desistir delas pois andar km com criança, saco de praia, agua, baldes, chapéu de sol e mais o catano soa a tudo menos a férias.

– Significa que, às tantas optei por parar onde me apetecia, sem qualquer plano, apenas a seguir a minha vontade de momento salvaguardando apenas as horas de comer e dormir da Clara.

Um dia, quando trabalhava num Parque Nacional em Moçambique, tive de saltar para o volante de um carro e conduzi-lo, com bombeiros lá trás, para fora de um incêndio que tinha ficado fora de controle.

Demorei até hoje a perceber como o fiz, mas hoje sei. Consegui fazê-lo porque todo o meu ser vive o agora, e todo o meu eu funciona melhor quando faz o que sente e é ao coração que eu pergunto o que fazer.

Não servindo para mais nada, serve para conduzir carros de bombeiros em incêndios e fazer férias sem planos de auto-caravana com a Clara :)

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