Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

ROADTRIP 4: Qué qué isso do conforto?!

Crónica de 08 / 07 / 2016

A sensação que tive quando parei na primeiro praia foi desconforto.

Sentia calor. Sentia falta de saber onde estão as coisas. Sentia-me confusa com tê-las todas em sacos.

Fiz o que tinha a fazer e fui dar um mergulho: precisava de ficar confortável, parar e sentir, antes de mais.

Voltei ao final da tarde, preparei o jantar, mandei umas cabeçadas em sítios onde não sabia haver prateleiras e fomos jantar as duas ao por-do-sol.

A maior resistência à mudança é o conforto: porque me hei-de eu destapar se está tão quentinho debaixo desta manta?

Esse é o problema, e foi exactamente essa a minha maior motivação para a viagem: ficar desconfortável.

Porque raramente nos predispomos a ficar desconfortáveis, sem cobertor ao frio, ou cheios de sede no deserto. O conforto dá-nos segurança e porque raio nos haveríamos de aborrecer a fazer mudanças numa vida confortável?

Não sei vocês. Mas eu, acho que a mudança é inevitável. Eu, prefiro caminhar do que ser empurrada. Eu, acredito que só faz sentido viver se formos crescendo, como pessoas, seres humanos, e soprando as nossas próprias limitações.

Eu, não gosto do disconforto, mas sei que só com ele eu evoluo.

Onde quero chegar? Era a Sagres, mesmo :)

Mas mais que isso, queria sentir que posso conhecer e mostrar o mundo à minha filha de formas menos convencionais, queria saborear o mundo de perto, com o trabalho e suor das minhas mãos, queria cheirar com ela o mar e a areia, sujar-nos de pó e tomar banho só quando desse.

E sabem que mais? Voltei a casa outra pessoa, exactamente mais próxima do que queria: cheguei a casa cheia de pó e a precisar de um grande banho :)

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