Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2018

Patinhos Feios

Crónica de 11 / 07 / 2016

O ser humano não passa, muitas vezes, de um ser mesquinho.

Pois o tempo que dedica a apontar os erros e as falhas dos outros e a argumentar porque este ou aquele não merece vencer ou ser reconhecido é infimamente superior ao que dedica a dar motivação para lutar.

Quando se alia sermos alvo do dedo apontado dos outros com uma maré de azar estamos feitos: é difícil não nos sentirmos esse patinho feio, e certamente tristes com isso.

O mundo é injusto e é-o desde cedo, onde são as próprias crianças as primeiras a satirizar colegas, desprezar quem é diferente, e a fazer chacota de quem não pertença aquele que considerem o seu grupo, que consideram, invariavelmente melhor que o do outro.

Não vos sei explicar bem porquê, talvez me baste ser mulher para não ter de explicar as emoções, mas senti-me, muito tempo, tal qual esta selecção: uma espécie de elefante numa loja de porcelana onde difícil é ninguém te apontar o dedo ou reparar em ti pelas piores razões.

Estive hoje a ler um pouco da história do Ederzinho, o herói do golo da Selecção Nacional, e não pude deixar de pensar que inevitável mesmo, era não ganharmos.

Porque sim, não sei se Deus ou outro alguém, a verdade é que alguém consegue escrever direito por linhas tortas. Talvez nós próprios por não nos resignarmos em sermos apenas mais um patinho feio.

E estes senhores, os portugueses da nossa selecção, não são um grupo qualquer: são um grupo de uma raça de luta, de esforço e de espirito de equipa muito superior aquilo que, infelizmente, estamos acostumados a ver.

E isso levou-os, perdão levou-nos, a um sítio absolutamente fora de série: o sítio onde os sonhos se tornam realidade, porque sonhar não custa mas pelos sonhos também se lutam.

O meu eu patinho encontrou esse sonho nessa coisa pegajosa e lamechas chamado “amor de mãe”. É por ela que sonho, e é com ela que quero chegar cada vez mais longe.

Porque quem dera a este mundo que houvesse mais patinhos feios: significava que havia mais pessoas a perseguir sonhos ao invés de desistir perante a adversidade.

Parabéns Selecção Nacional. Não ganhámos só um campeonato da Europa: ganhámos também uma lição para a vida.

Que nunca nos falte a força para sermos todos um pouco como estes patinhos feios.

Mais Crónicas:

-->