Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Manual de desenvolvimento infantil grátis

Crónica de 19 / 07 / 2016

Quando soube que estava grávida, comprei vários livros. Interessava-me saber quantos milímetros a mais tinha a minha cria a cada semana que passava, quando começava a ter dedos, pernas e aspecto de gente.

Quando soube que estava grávida, fiz um curso de preparação para o parto. Queria garantir que me sentia preparada para dar banho a um recém-nascido, que sabia quais os sinais de que ela ia nascer e que, basicamente, não ia ser apanhada como um burro a olhar para um palácio quando ela começasse a chorar.

Atenção que não sou do género ansioso. Não me preocupava a esterilização do material, ou as vacinas a mais ou a menos, ou a temperatura do quarto. Não. A mim preocupavam-me coisas simples como a sobrevivência da criança. E a minha sanidade mental.

Mas foi logo no pós-parto que me senti enganada pela ideia de que te podes preparar para o que quer que fosse: é que no meio de tantos livros e cursos, não me lembro, a não ser que o meu cérebro gordo e grávido se tenham esquecido, de ninguém me ter preparado devidamente para o puerpério.

Sim, aquela altura logo a seguir à criatura nascer, de que ouvimos falar muito pouco a não ser da subida do leite e de uns possíveis “baby blues”, essa altura é uma seca tremenda nem sempre fácil de ultrapassar. Não é fácil a amamentação, seja para quem não tem leite ou para quem tem leite a mais, seja apenas porque te doem as mamas quando te olham com uma cara de que estás “mazé” enjoada porque toda a gente sabe que dali jorra leite que nem numa antiga fonte romana. Não é fácil levar tantos pontos numa zona historicamente tão frágil que tens de usar uma almofada para a hemorroida durante quase 2 meses porque depois de passar a cabeça da tua filha, a ferros, ainda levaste dezenas de pontos e agora não te consegues sentar.

Pois é, fui enganada… mas sou uma rapariga optimista pelo que, tenho uma máxima há muitos anos: “se não tem tu, vai tu mesmo”. Ora se os livros e os cursos não me ajudavam, quem me podia ajudar????

Na verdade duas pessoas muito simpáticas e acessíveis: eu e a minha filha :)

E foi a partir dai que comecei a seguir o meu instinto. Sendo que o meu instinto a ouvia a ela.

Ir para a cama dela? Foi, quando se sentiu preparada.
Comer sozinha? Come, desde que quer.
Deixar de beber leite a meio da noite? Sim, quando deixou de pedir.
Largar as fraldas? No dia que quis (faz hoje uma semana!!!!!).

E não é que, tirando 2 dias mais exigentes com apogeu de cocó no chão da nossa vizinha, nunca mais tivemos acidentes?

Esta última evolução foi a prova dos 9 para mim: no dia que quis, ela largou a fralda. Este era o meu ultimo reduto, aquele que eu mais temia forçar ou adiar, aquele que eu evitaria a todo o custo mesmo do epicentro do amor de mãe: cocó. Cocó em casa. Cocó nas minhas mãos. Cocó nas mãos dela. Cocó.

Atenção que não sou uma hippie do desenvolvimento infantil: não, não acho que as crianças só fazem o que querem, quando querem.

Acho é que, antes dos livros, dos cursos, das opiniões e dos “achismos”, devemos ouvir a quem mais interessa: a eles e a nós.

Para tudo o resto? Façam-se de bons turistas num país onde não falam a língua: “sim, sim, sim”

Vai-se a ver e com o dinheiro que poupam ainda podem ir viajar para um país onde não falam a língua 😉

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