Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Fim de férias. Regresso à realidade. Ou não?

Crónica de 14 / 08 / 2016

Depois de uns dias de sol, praia, piscina, petiscos e maravilhosas companhias, lá voltámos ontem, com a (falsa) sensação que se tem no fim das férias de que tudo vai ser diferente para melhor.

Foram dias maravilhosos, sim, mas as férias não eram nossas: eram dos amigos maravilhosos que temos e nos acolheram às duas, como família, para partilhar o seu espaço com estas duas pelintras.

Assim, ontem quando cheguei a casa, estava imbuida desse espirito quase-teenager de que a vida, não sendo diferente, era pelo menos boa. E pensei que hoje, quando acordasse, ia passear com este sorriso e bronze de verão, às compras de comida de verão, para fazer um almoço de verão, com sabor a verão e com um sorriso de verão na cara.

Cai na real: eu não tenho dinheiro para isso. As compras do mês estão feitas. O que sobrou foi para uns dias em casa dos amigos. Eu não posso ir ter esse dia utópico de verão.

Longe vão os tempos que o verão era um marco, como que um início de um ano novo, a estrear, com todas as promessas e crenças de que o que está mal vai mudar e o que está bem vai ficar melhor. Quando temos 20 anos achamos que o verão dura para sempre. Quando tens 40 já sabes que "para sempre" só mesmo as rugas depois de se instalarem.

Fiquei triste. A pensar no que não tenho. Lembrei-me dos problemas que cá esperavam por mim. A necessidade de trabalho. A falta de dinheiro. A... Acordei. E dei 3 pares de estalos mentais a mim própria.

A verdade é que, se agora que tenho um pouco mais que 20 anos (:)) sei que a seguir ao verão vem o outono, depois o inverno mas que depois do inverno vem a primavera e, novamente o verão.

Sei também que reclamar sobre o que não tens é como uma criança a reclamar porque não tem um brinquedo que viu na loja. Quando tem em casa uma série de brinquedos e na rua outra serie de elementos com que se divertir.

Reclamar sobre o que não se tem é ser a criança mimada, que reclamará para sempre. E eu não posso nem quero ser essa criança... muito menos mãe!

Passei a manhã a limpar a sujidade que adiei um mês porque "ia de férias".

Limpei a retrete com a nostalgia das histórias que conto à Clara do "cocó que vai para o mundo do cocó brincar com os outros cocós."

Aspirei o sofá com um sorriso de quem, para além do pó e da sujidade, encontra aquele brinquedo perdido há muito que vai ser um prazer entregar à garota.

Esfreguei, lavei e suei com a alegria de quem tem o melhor do mundo: a capacidade de dar valor ao que tem.

Porque estar feliz pelo que temos é estar feliz para sempre.

E saber que posso passar isso à minha filha é a cereja em cima do bolo... ou devo dizer a esfregona dentro do balde?! :p

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