Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Porquê ser uma mãe nómada

Crónica de 30 / 08 / 2016

Desde o momento zero da maternidade, o momento que sabemos que estamos grávidas, que o mundo nos diz o que precisamos.

  • cursos de preparação
  • mala da maternidade
  • roupa para grávida
  • roupa para recém-nascido
  • livros
  • banheiras
  • escovas (!)
  • o diabo a sete...

Tudo o que precisamos... não está em nós?! Como?!

Eu, desde que nasci até hoje, mudei pelo menos 30 vezes de casa. Isto faz-me dar muito valor à minha casa. É aqui que estou segura. Que nada me acontece. É aqui que o mundo fica lá fora.

Mas dou ainda mais valor a outra coisa, à única coisa que me permite sobreviver e vingar no mundo: eu.

No "eu" está o amor. A liberdade. A alegria.
No "eu" mente está a capacidade de amar, de pedir desculpa, de voltar atrás.
No "eu" - que para mim inclui o cérebro, a alma e o coração - está tudo o que preciso para ser feliz.

Quando fui mãe, e lembrando-me que senti falta de ter a minha casa muitas vezes, nunca quis descorar esse porto de abrigo, esse colo.

Mas, foi também nesta altura que me lembrei tudo o que aprendi quando não falava a mesma língua que as pessoas à minha volta, que me lembrei de tudo o que aprendi quando não tinha nenhum recurso material para me adaptar.

O que fiz foi buscar dentro de mim. Sem objectos. Ou dinheiro. Ou tecnologia.

O que fiz foi encontrar dentro de mim o que precisava para sobreviver. E ser feliz.

Nem sempre é fácil. Somos animais de hábitos nós.

Mas como não preferir que um filho brinque com uma criança em vez de um telemóvel?

Como não preferir que um filho saiba que fruto vem daquela arvore em vez de o nome de uma série de personagens Disney?

Como não escolher ter um filho sem medo de abrir asas e voar em vez de um filho que tem medo do mundo lá fora?

Eu escolho ter uma filha que um dia sinta o mundo a sua casa. E saiba que as suas asas são do tamanho desse mesmo mundo.

Mesmo que eu fique em casa, para onde ela pode voltar sempre, com o coração apertado a vê-la voar.

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