Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2017

"Que giro, até a deixas brincar com carros!"

Crónica de 12 / 09 / 2016

Ouvi eu há uns tempos de um amigo.

De facto, a minha filha gosta de brincar com carros. E não gosta de barbies nem bonecas nem cenas tipicamente "gaja"

(tirando maquilhagem, isso ela gosta! :))

E eu sempre me achei modernaça e prática nesse sentido:

a minha filha não usa folhos nem laços maiores que a cabeça (até porque não gosta);

a minha filha não parece uma boneca de porcelana tirada das revistas da minha avó (até porque sou eu que lavo e passo a ferro);

a minha filha brinca com carros.

Até este fim-de-semana eu achava que era uma das mães que combate o estigma do estereotipo. Até ter ido jantar com umas amigas psicólogas.

Estávamos a falar de cores de roupa de rapazes e rapariga e elas dizem-me que a minha filha veste cor-de-rosa. Ao que respondo: "sim, o vosso filho também veste azul!"

"Mas a tua filha é feminina, tal quel tu és muito feminina."

"Não, a minha filha é feminina na extensão que quer ser feminina!"

Mas será? Será que os filhos são tudo o que querem ser? Será que se um filho quiser vestir só cor-de-rosa e uma filha só azul estamos abertos a isso?

Até que ponto perpetuamos, até achando que não, as personagens de género, nos laços e nos tu-tus e nos meninos no karaté e as meninas no ballet?

Até que ponto perpetuamos nós, sem querer, as sociedades que educaram toda a identidade de género que contestamos?

Não sei a resposta (quanto mais cresce menos certezas tenho!)

Mas achei a pergunta digna de "ir para o ar".

E vocês? O que acham?

Mais Crónicas:

-->