Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Mães "agora cá merdas!"

Crónica de 19 / 09 / 2016

Poucos dias depois da Clara nascer escrevi, impressionada, sobre quão eficaz era a natureza humana:

  • bebé tem fome, chora
  • bebé tem cocó, chora.

E por ai fora. Ou é, ou não é. Agora cá merdas. Conversas introdutórias. Quebrar de gelo. "Diz que disse", "parece-me que", "há quem ache".

Para mim, vinda dum mundo corporativo onde só em graxa se gasta meio dia e todo um sorriso aquilo era supremo: diz-me o que queres e eu resolvo! Agora cá merdas!

Com o passar dos anos, e o viver permanentemente com uma criança, tornei-me eu própria numa pessoa "agora cá merdas."

Com uma criança, é a única via:

  • estás a fazer birra? tens fome ou sono?
  • estás mal-disposta? precisas de ir ao WC?
  • queres mimo? vem que a mãe te dá todo do mundo.

Mas é assustador como isto se alastra a todo o nosso ser, a tudo o que somos:

  • o telefone toca e penso logo: é conversa de demorar ou não?
  • alguém começa a conversar e penso: vai andar à volta do tema ou vai falar do que quer rapidamente?

É assustador. Ainda mais como mãe solteira: percebes que vem de teres pouca disponibilidade, de teres todo o tempo preenchido. Inclusive o tempo do coração.

Ao contrário dos pais, parece não ficar um vazio por preencher na vida das mães depois de separadas: ele fica ocupado pelos filhos, pela casa, por uma falta de tempo para "agora cá merdas".

Não sei se isto é bom ou mau... com o tempo.

Sei que há data tem uma vantagem, não há cá merdas na minha vida.

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