Crónicas das Maternidade

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Autoria de Patrícia Costa
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2017

Desmistificar a escola: os passos desta (vossa) amadora

Crónica de 27 / 09 / 2016

Quando uma criança fica em casa até mais tarde, a entrada para a escola é aquele factor decisivo de te julgarem boa ou má mãe.

Já passou o tempo da amamentação (maior parte das pessoas já nem se lembra disso).

Já ninguém fala do co-sleeping (até porque com esta idade as pessoas já perceberam que importante mesmo é dormir...)

A questão que se impõe agora é: quando a tua cria entra para a escola, safa-se ou não?

Como na maternidade não há pontos fáceis, também não interessa que se safe muuuuito bem, do género:

"é pai, estava mesmo desejosa de sair do pé da minha mãe e vir para aqui dormir no chão com criaturas que acabei de conhecer!"

Mas sendo esse o 80, daí até ao 8 há uma série de possíveis reacções e comportamentos e, principalmente, possíveis faltas de vontade de ficar na escola...

Aqui, ao segundo dia, já mesmo em dezenas de recusas de voltar:

"Agora vou arranjar amigos aqui perto." "Hoje não me apetece ir." "Só vou se sou ficares comigo lá." "Não gostei."

E por aí fora...

Não tenho levado muito a sério porque ainda não chorou ... muito...

Mas tenho tentado defende-la do medo. Como? Com técnicas de amadora destas voltas, mas mãe ferrenha:

  1. Quando ela diz que não quero ir, não a contrario. Mudo de conversa. Toda a gente sabe que medir forças com uma criança é... perder!

  2. Todos os dias lhe pergunto tudo o que fez na escola. Não na versão marido/mulher: "como foi o teu dia?" (pergunta feita, resposta não ouvida) mas sim na versão detalhada de quem quer demonstrar que tudo o que se passou é extremamente interessante: 1) os amigos, 2) a comida, 3) o xixi, 4) a educadora, 5) as actividades, 6) beber agua, 7) dormir tapada ou não, etc

  3. Todos os dias lhe pergunto se quer levar algo dela com ela: um livro, um instrumento musical, um boneco, etc. Quero que ela sinta que se pode sentir lá como em casa e, mesmo que depois se esqueça dessa peça, sente que pode ocupar a escolinha com o seu mundo... e conquista-lo! :)

  4. Já percebi que não posso ter pressa... Acordar, tomar pequeno-almoço, vestir, sair de casa, entrar na escola, etc tudo deve ser feito com calma, paciência, e à velocidade dela. Sair de anos de ser rainha cá em casa para um mundo onde só recebe ordens não parece interessante nem para o mais burro dos seres humanos...

  5. Ter tempo é crucial... sei que poucas mães têm o que é um cocó! Mas aqui, pelo menos, tem ajudado ficar na escolinha com ela 10 minutos, ir lá perguntar se quer dormir ou vir para casa, sentar-me com ela 10 minutos não chão, a brincar, quando a vou buscar. Se é um sitio que é suposto eles gostarem (e confiarem!) deve ser um que tem o mesmo impacto em nós. Devia haver uma licença que permitisse ter tempo para integrar os filhos na escola...

Sao 2 dias, ainda com coração nas mãos, mas a querer aprender a tornar este passo o mais fácil... para ela!

Eu? Eu fico feliz por ter uma filha que não foi amamentada e dormiu (e dorme) na minha cama, que chega à escola e mostra que está pronta para enfrentar o mundo sozinha <3

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