Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Mãe solteira procura homem. Ou então não.

Crónica de 28 / 09 / 2016

No outro dia, enquanto navegava despreocupadamente a internet, deparei-me com uma imagem que, hoje em dia me toca:

Uma imagem que insinuava que toda a mulher que acha que não há nenhum homem à sua altura é, no fundo... uma chata do caraças.

A estatística não facilita as contas: dados da ONU mostram que, em 2012 havia, em Portugal, 106 mulheres para cada 100 homens.

Não sei o ratio de solteiros e casados mas, se para cada mulher casada houver um homem casado, sobram logo 6 mulheres que, mesmo que sejam umas gajas muito porreiras, não têm direito a gajo a não ser que queiram partilhar com outra pessoa.

Isto significa que, qualquer homem, independentemente das qualidades e/ou competências, tem, estatisticamente, 7 mulheres à escolha. Tantas como os dias da semana.

Soma que, e agora a questão que me toca, uma mãe solteira é alguém que, a nível de mercado, já não vem exactamente com o selo de último modelo do mercado... há-de ter mais uns anos, mais umas rugas, mais uns quilos, mas, especialmente, menos vontade de aturar um gajo só porque sim.

Esta mãe terá grande parte do seu tempo já ocupado com tarefas do lar, da profissão, da maternidade, e - correndo tudo bem - da sua própria vida social.

Porque quereria esta mãe um homem?

Pode quere-lo, certamente, por várias razões. Sendo que, o que me perturba, é que esta sociedade, pseudo-modernizada, acha que uma mulher continua a querer voltar a ter uma relação... para dividir o lavar da cueca suja e da baba no sofá ao final da noite.

Porque sei eu disto? Perguntam vocês.

Ora, para começar, porque sou uma mãe solteira.

Mas não fica por aqui. Aliás, no outro dia, no meio de uma conversa onde eu estava a ser compelida a falar sobre como seria quando eu tivesse alguém, eu tive de ser a rapariga do costume, que fala o que pensa e diz:

"Mas quem disse que eu queria uma relação? E, a querer, quem disse que era agora? Ou que não quereria apenas alguém que viesse cá a casa entre as 10 e a meia noite até porque depois disso quero dormir?!"

Ainda não pensei muito nisso. Até porque, vai-se a ver, vou mesmo tornar-me numa velha gorda de quem toda a gente foge e eu acho que ninguém é bom o suficiente.

Mas daí a trair todas as mulheres que queimaram soutiens, vai uma grande distância: não, eu não preciso de estar numa relação para me sentir preenchida.

E daí a ter saudades de partilhar cestos de roupa suja vai uma distância ainda maior: sim, com a idade, esta velha gorda e maluca gosta cada vez menos de lavar roupa.

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