Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

iBebés? iMiúdos? iQueRaio?

Crónica de 29 / 09 / 2016

Nunca pensei na minha vida, entrar na sala de espera de um consultório de pediatria e ver todas as crianças e todos os pais com tanta atenção como naquele dia. Colados a 100%! E senti-me excluída.

Eram telemóveis, Tablet, consolas. E o pobre do meu filho, que brincava de sorriso na cara no canto dos brinquedos, daquela sala. E era eu, sentada que o observava e pensava: “Oi? Estamos muito desatualizados.”

Mas alguém me explica, que paranoia, que história é esta de que é quase obrigatório que mal a criança comece a andar temos que lhe espetar um Tablet, ou uma consola para as mãos? E que o que é estranho, ou triste é uma criança preferir brincar com brinquedos verdadeiros do que com um aparelho eletrónico qualquer?

Eu sou da geração da tecnologia, tenho 23 anos. Deveria ser eu a incentivar até o meu filho a entrar neste mundo tão à frente… Mas não o consigo fazer quando vejo crianças tão pequeninas já dependentes de um aparelho, a fazerem birras por não terem e os pais a usarem isso como uma boa distração, como parte integrante da felicidade dos filhos…

Ouvir de uma educadora de infância que fez entrevistas a pais, que tinham bebés de um ano ao colo, totalmente colados a um Tablet. Não entendo!

Naquele dia, ouvi da boca de uma mãe cujo filho fazia uma daquelas birras de atenção lindas de se ver, que o meu filho se calhar queria jogar no Tablet do filho dela só porque foi ver o que era como qualquer criança curiosa, e eu disse que não, que ele não tinha um e eu também não o deixava jogar…. Oh! Senhor. Ouvi o que nunca pensei.

Pelos vistos hoje em dia, saber ser mãe passa por dar à criança o bom e o melhor que são tarecos eletrónicos que os viciam totalmente, que miudagem como eu nem deveria ser mãe, que o meu filho vai crescer a sentir-se diferente porque os outros meninos (diz-se meninos de 1 aos 6 anos) têm um Tablet e ele não, que é assim que depois há crianças frustradas e que não sabem lidar com as coisas.

Eu já vos disse que o meu filho tem 4 anos? 4 anos. Tem mais é que brincar com uma bola, no quintal da casa, com os amiguinhos no parque, desenhar, riscar paredes e fazer maracas com uma garrafa de agua vazia e arroz, desarrumar brinquedos, brincar comigo e distrair-se. Não é passar minutos, horas colado a um aparelho que não traz qualquer ponta de felicidade porque os deixa tão apáticos em relação ao resto que eles deixam de saber o que é brincar, o que é reagir.

Eu compreendo que não haja tempo para tudo! Eu sei. Eu juro que tenho dias em que peço ao meu filho para sossegar e se sentar em frente à televisão. Tenho dias em que estou cansada de o ouvir. Mas, não consigo impor-lhe um vicio desnecessário que depois servirá apenas para eu me chatear, gritar porque ele vai querer sempre mais e mais, e virão as birras, e para não haver birras, lá iria eu fazer-lhe a vontade!

Muita, muita trabalheira. São crianças, gente. Telemóveis, Tablets e afins são para adolescentes, adultos. Não são para pequenas esponjas que absorvem tudo à sua volta, que precisam de brincar, de extravasar a energia, de rir, de correr, de fazer asneiras.

E nós, temos que os acompanhar nisso. Faz parte de os ver crescer! Nem 8 nem 80. Tudo tem o seu peso e a sua medida. Mas crianças não precisam desses vícios, desses escapes.

Não façam dos miúdos de hoje, os miúdos que para se rirem a sério precisam de ligar um Tablet. Façam deles, os miúdos que para se rirem precisam de correr atrás de bolas de sabão. Que tiveram a infância repleta de experiências, de liberdade, sujidade e brincadeira.

Ou façam como entenderem, mas não censurem quem faz dos seus o contrário.

Pensem na vossa infância, e vejam lá se a passaram ligados a máquinas! ☺

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