Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Fui chamada à psicologa da creche

Crónica de 04 / 10 / 2016

"Reunião habitual", dizem, "faz parte do processo de conhecer a criança".

Ok, siga.

Chego, atrasada, com a cria doente, e dirijo-me, com o pai para a sala da reunião.

Blá, blá, blá whiskas saquetas, passamos à primeira pergunta:

"A gravidez da Clara foi planeada? Como é que ela nasceu? E como foram os primeiros meses da vida dela?"

Pára tudo. (Tipo pausa nos filmes, estão a ver?)

Eu tirei psicologia. Sim, também eu sou dessa raça dos psicólogos.

Mas tive uma sorte do caraças: estudei em Londres. Não Londres porque "lá fora é tudo melhor" mas em Londres porque, o estado inglês me pagou as propinas só porque eu era da União Europeia (ah pois é!!!) e, especialmente porque, estudei casos como:

  • a lei de Megan (todos os pais deviam conhecer)
  • A Asfixiofilia
  • e a morte de pessoas sem qualquer doença (porque simplesmente desistem de viver...)

(ao que acresce que não tinha exames mas sim relatórios com a minha opinião sobre estas matérias, mas adiante)

Ora junta-se uma experiência única com a psicologia, com uma gaja opiniosa (leia-se "eu") e aquela pergunta desatou a fazer uma série de curtos-circuitos no meu cérebro (leia-se "&%$"!"$%&//(&%##&&%#$")

Olhei de lado para o pai da Clara e desatamos os dois a rir (eu para fora, ele para dentro que é mais discreto :))

E, antes de responder, pensei: "Patricia, lembra-te que é a escola da tua filha, tens de voltar cá muitas vezes; também não é o teu blog, onde escreves exactamente o que pensas, então... então põe-te mansa!"

Então respondi:

"Ora então, não foi planeada mas foi uma gravidez muito feliz! nasceu de parto natural mas à primeira contracção eu disse logo: HAPPY-DURAL!! que já gritava tanto que não estava mesmo para aquilo! Não amamentou mas hoje em dia come um boi... e devia ser dada para a ciência para saberem onde o põe!"

Vi, na cara dela, que eu ainda não tinha sido clara o suficiente sobre a minha verdadeira posição porque me deu a entender que continuava em dúvida relativamente a uma questão: a amamentação.

Mas eu já tinha conseguido dominar a minha fera interior e então disse:

" mas olhe que tentei e chorei muito por não conseguir!!! ele eram bombas nas mamas, ele era saquetas não sei do quê, ele eram doulas para me ensinar, ele era tudo! passado um mês e meio desisti. Mas olhe que está óptima: aliás, como já disse, come um boi!"

Pareceu descansada. Mas eu? Eu não fiquei.

Mas que raio?! Como avaliamos nós uma boa mãe?!

Não me pediram o meu registo criminal.

Ou sequer perguntaram se uso drogas! (alguém se lembra dos visto de emigração para os EUA onde se pergunta se a pessoa pretendia efectuar terrorismo na sua visita turística ao país? Isto para dizer que, perguntar não ofende :p)

Mas, aos quase 3 anos de idade, o que parece relevante é se eu tentei ao menos amamentar???? quando a minha filha tem um percentil fantástico em tudo???

Bom, não recomendo mandar toda a gente para Londres reinventar-se como psicólogos, educadores e... (alguns deles, como pessoas em geral)

Mas recomendo vivamente que se reveja o que são questões importantes de averiguar nos pais de uma criança.

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