Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Bisavós não é para quem quer...

Crónica de 15 / 10 / 2016

Não tenho muitas pessoas a quem possa recorrer.

Mas tenho algumas, poucas e boas, que ligo a qualquer hora e aparecem.

São familia, o que, no meu caso que tentei uma vida inteira não depender dela, é, no mínimo, irônico... além de uma grande lição.

É o meu pai e a minha boa-drasta (recusa a ser chamada de madrasta ou avó! mas é a primeira a bater-me à porta se sabe que algo não está bem :p)

E são os meus avós. Sim, os meus avós. Tenho a sorte de ter avós mais ou menos novos, 79 e 83, consequência de uma mãe que o foi aos 17 anos.

Fui criada e cresci com eles. Conheci o Brasil de Norte a Sul com eles. Aprendi o que era alguém te ligar todos os dias quando estavas no estrangeiro. Soube o que era receber um leitão por correio e Londres...

Muitas vezes é a eles que ligo e, mesmo com dificuldade de subirem 3 lances de escadas estão cá sempre que preciso, confesso que, eventualmente, mais para ver a mini-neta que a mim :)

Mas hoje foi giro. Porque se tornou hábito virem ao fim-de-semana. Sendo que hoje me foi acrescentada a dica: "se precisares de ir a algum lado não vamos contigo! ficamos com a Clara em casa!"

Eu precisava de ir ao supermercado. "Aproveita até porque está tudo a 50%!" disse-me a minha avó, caso eu estivesse em dúvida.

Fui. Voltei. Eles partiram.

E, de repente, percebo o que é ter bisavós:

é aprender que se deve ter algo "ao peito" para "não ficar doentinha" e que o peito "é aqui"

é aprender a fazer legos versão torres-gémeas-versão-artistica-com-galinheta-a-arrematar com o avô "que se transforma em lobo, sabias mamã?"

Hoje o sentimento é agridoce: é doce porque consegui que ela construa memórias com os bisavós mais loucos de sempre. É amargo porque, nesta idade, não sabes quando vai acabar...

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