Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2018

A gata borralheira.

Crónica de 03 / 11 / 2016

Fui a primeira pessoa da minha família a terminar um curso superior.

Os meus avós têm a 4ª classe.
Os meus pais, concluido, o secundário.

Todos subiram a pulso, mostrando-me que devemos estar sempre orgulhosos das nossas origens simples, pois elas não nos impendem de conquistar o céu.

Faço 38 anos no próximo sábado e, entre isso e o lançamento do meu primeiro livro o meu pai levou-me hoje a comprar umas fatiotas para ambos os eventos.

Eu e a minha mãe-drasta (este nome parece-me poder pegar :)) ficámos na Zara a experimentar roupas que nem duas adolescentes enquanto ele esperava pacientemente pelas suas meninas.

Esta paciência não é comum. Nenhum homem espera assim por duas mulheres. A não ser o meu pai, que ficou sem pai e mãe muito novo pelo que tem nos filhos o seu maior património. E, assim, esperar para nos ver felizes é algo que faz com facilidade.

A Tânia Campina, que conheci hoje na Zara, foi quem nos atendeu e aderiu à ideia de me por gira e feliz como uma amiga de longa data. E, como verão daqui a uns dias, pôs-me uma bomba!

Para quem estava desempregada há 3 anos, sem dinheiro para mandar cantar um cego, hoje foi Natal.

Mas o Natal não acaba aqui: falei com a KIKO para me maquilharem para o evento e a Angela, responsável da comunicação da marca, adorou a ideia até porque me segue aqui no blog.

Não consigo descrever-vos a minha alegria... Eu era a gata borralheira. Eu era aquela que começou a escrever sem expectativa, com imenso respeito por quem escreve, sem nunca querer vender este espaço a marcas, sem nunca querer deixar de mostrar o meu caminho, as minhas dificuldades, alegrias, tontices, medos e... palhaçadas!

Eu, a gata borralheira dos blogs, estava a conseguir aquilo que a minha família sempre me quis ensinar: faz o teu caminho, tranquila, e leva o teu barco a um porto onde te sintas feliz, e deixa o resto ao universo.

Por tudo isto me sinto ainda mais feliz mas, especialmente, por saber que, um dia, quando a minha filha souber ler, pode vir aqui ler sobre as alegrias que tive todos os dias ao viver com ela, sobre as vezes que chorei com medo de não ser boa mãe, e sobre o caminho que se faz fazendo.

A Clara não poderá vir aqui para saber o que lava mais branco. Mas poderá vir aqui para saber que, por trás de cada marca com que me cruzei, está uma pessoa que empatizou comigo, está uma história bonita para contar e está, acima de tudo, a história de alguém que eu espero que a inspire como a mim me inspiraram:

A história da mãe dela, que escolheu sempre fazer um caminho fiel a si própria, e por isso se foi sempre cruzando com pessoas fieis. Que a transformaram numa pequena Cinderela.

Porque sim, aos meus olhos, eu hoje sinto-me uma Cinderela.

Obrigada a todos e todas que o fizeram acontecer <3

Mais Crónicas:

-->