Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

A mulher perfeita

Crónica de 04 / 11 / 2016

Comecei a ler um livro que diz que "as mulheres não perguntam."

Introduzindo uma perspectiva história do conceito de negociação e conflito, mostra que as mulheres, sempre vistas como o garante da paz e harmonia do lar, afastaram-se dos contextos onde reivindicavam direitos pois, negociar era visto como uma situação onde alguém saia a perder.

Basicamente, tudo aquilo a que dá origem ao discurso Bela, Recatada e do Lar.

A partir desse conceito original, somos nós, mulheres, que acabamos por nos focar em ser pessoas de quem os outros devem "gostar", seres amorosos, recatados, e que mantêm a paz a "qualquer custo".

E sim, talvez muita paz no mundo e nos lares se deva às mulheres.

Mas a verdade, segundo o livro e eu acredito, é que nos remetemos para um lugar onde a mulher perfeita não está numa posição de igualdade com um homem. A mulher perfeita, ou pelo menos a mulher de hoje, não luta pelos seus ideais.

Ora esta questão toca-me não só porque acho que somos nós, mulheres, que o perpetuamos mas, especialmente, porque acho que ter um blog é exactamente para isto: para falar de assuntos que possam ser repensados.

O livro tem razão! Tal como se estipulou que as meninas brincam com bonecas e os rapazes com carros se não são "maricas", estipulou-se que as mulheres recebem menos que os homens, que trabalham mais, que duvidam mais do seu real valor, daquilo que merecem e que, por tudo isto... não negoceiam. Salários, partilhas de tarefas de casa, ou talvez até um beijo de um rapaz jeitoso!

Nós, mulheres, precisamos de ouvir feedback positivo para nos sentirmos apreciadas. E não devíamos.

Nós, mulheres, compramos uma imagem de que as raparigas bonitas são calmas e recatadas. E não devíamos.

Nós mulheres, vendemos a imagem de que ser mãe é ser doce e cândida, e que é compatível com andar linda a maravilhosa. E não devíamos.

Nós mulheres, devíamos ir mais à luta. E não vamos.

Mas devíamos.

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