Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

O que vai na cabeça de uma mulher aos 38 anos.

Crónica de 04 / 11 / 2016

Faço hoje 38 anos mas escrevi esta crónica ontem.

Quando lerem este texto, hei-de estar a ser mãe, lavar arrumar, brincar. Hei-de estar na minha vida normal.

Mas ontem pude parar para saborear o aniversário que ai vinha. E escolhi fazer coisas diferentes:

andei, em vez de correr.
Meditei, em vez de olhar.
Ouvi o mar em vez de música.

Queria sentir a que sabiam estes 38 anos.

É uma idade simbólica para mim: é a idade que a minha mãe tinha quando foi viver para Moçambique e eu para Londres.

Lembro-me de pensar, na altura, que não se recomeça uma vida aos 38 anos. Sei hoje que podes recomeçar quantas quiseres, especialmente se fores alguém com a coragem da minha mãe.

Lembro-me de ter 18 anos, e a vida pela frente. E hoje, 20 anos depois, volto estranhamente a sentir que é agora que tenho a vida pela frente.

Se não me acontecesse mais nada na vida eu seria feliz: sou mãe.

Mas, 20 anos depois, aos 38 anos, volto a acreditar que se deve sonhar, que se deve querer voltar a amar, e que se deve dar ao mundo. E deixar nele uma marca.

Tal como aos 18, aos 38 volto a acreditar na energia do universo. Na energia do acreditar.

E 20 anos depois de começar a viver sozinha, vivo com a pessoa que me faz nunca mais querer estar sozinha: a minha filha.

Aos 38 sinto-me a voltar a querer deixar um marco no mundo. Como queria aos 18. Mas com mais 20 anos de cabeçadas em cima.

Ainda erro, confesso. E sinto-me mal com os meus erros. Mas estes cabelos brancos, que, agressivamente tomam conta da minha cabeça, por dentro e por fora, dão-me uma margem de manobra que nunca tive:
a de ver antes de acontecer.
a de prever.
a de poder escolher.

E por isso, tendo já tudo o que podia desejar, aos 38 anos volto a ser uma sonhadora e a querer mais: a querer que o meu percurso tenha impacto.

Sonhar não custa pois não? ;)

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