Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

A bela e o monstro. A mulher e a maternidade.

Crónica de 06 / 12 / 2016

Não somos especialmente bonitas na gravidez, não. Mas estamos especialmente felizes.

Lembro-me, aliás, de me baloiçar, pançuda até à lua, orgulhosa e reluzente pelas ruas, sentindo-me a mais transcendental das mulheres. Sim, as hormonas têm este poder.

Hoje em dia olho para uma mulher grávida, confesso, e tenho sempre alguma pena: pena porque, tal como um balão que esvazia, quando aquele bebé sair virão tempos menos... transcendentais, digamos simpaticamente.

Tenho falado sobre isto, sobre sermos a arvore de Natal que, depois do dia 25, e da chegada do menino Jesus, é posta de parte.

Tenho falado sobre a solidão do pós-parto. E tenho falado também sobre, 3 anos depois, voltar a sentir-me bonita voltar a sentir-me bonita.

Mas há algo de que ainda não falei, algo que falta falar: o porquê de nos sentirmos mais feias no pós-parto.

Como se não bastasse essa solidão, e esse arrumar da árvore até ao próximo Natal, a natureza, que nos bombeou de hormonas e os médicos que nos bombearam de vitaminas; todos nos abandonam para se canalizar para onde sempre estiverem interessados: o menino (ou menina!) Jesus.

Levamos pontos em sítios que nem nunca tinham visto a luz do sol.

Ficamos com uma barriga pendente porque não são uns dias (ou meses!) que a põe no lugar de onde saiu há 9.

Perdemos, assustadoramente, cabelo.

Não dormimos e andamos cansadas, irritadas e com olheiras até aos joelhos.

Como a bela e monstro, assim é a mulher e a maternidade: dois lados da mesma moeda. Bonitos por dentro mas... às vezes, uma monstruosidade por fora.

De repente, olhamos ao espelho e ali estamos: de repente, longe da gorda reluzente, somos uma menos gorda... muito menos reluzente.

E tal como a história da Disney é injusta com o monstro, assim o é a vida: porque os monstros não são apetecíveis de acarinhar. Os monstros não são a bela que um dia foi tão fácil de amar.

A minha mensagem é para quem não sabe amar os monstros: amem-nos. Muito. Amem-nos ainda mais.

Porque sim, a maternidade é apenas uma prova: a prova de que são capazes de ver a bela por trás do monstro. E amar o monstro. Porque a bela é fácil de amar.

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