Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Para ler nos dias difíceis (e em alguns fáceis também :))

Crónica de 14 / 12 / 2016

Quando tiveres dormido pouco, lembra-te de quando eras jovem, e dormias pouco porque estavas com os amigos, estavas com quem gostavas. Lembra-te disso nos dias que se seguem às noites difíceis: também agora, dormes pouco porque estás com quem amas.

Quando os teus filhos fizerem birras, lembra-te de quando eras nova, das paixões inconsequentes que tiveste; dos cortes de cabelo estranhos que fizeste; e das vezes todas que insististe que tinhas razão. Lembra-te que também tu fizeste birras, e não querias mais que atenção... ou pelo menos paciência.

Quando estiveres mesmo a precisar de estar sozinha, lembra-te da tua infância: lembra-te se te recordas mais da casa limpa ou das brincadeiras; da comida boa, ou da ausência. Lembra-te... e decide que memórias queres deixar aos teus filhos. De consciência tranquila.

Quanto te olhares ao espelho, e não te reconheceres pelo cansaço, lembra-te de como recordas a tua mãe. Os olhos veem a beleza de dentro. Mas talvez também não custe não seres lembrada como alguém sempre cansado.

Quando te sentires frágil, fraca e sem energia, lembra-te que os teus filhos te vão copiar: e não queres que eles finjam ser sempre fortes... e ignorem as suas verdadeiras emoções. Assume quem és. E em que estado estás. É importante eles perceberem isso. Para perceberem que, quando se sentirem eles cansados ou desmotivados, estão no seu perfeito direito.

Quando todos estiverem doentes, e é só a ti que chamam lembra-te dos filmes, lembra-te do amor: é na saúde e na doença. Estarão lá, a chamar por ti, daqui a uns dias, sem ranho nem febre nem dor. Porque tu és tudo para eles. Sempre. Só te custa mais a ti agora.

Quando quiseres chorar, chora. Quando não quiseres cozinhar, abre uma lata de salsichas. Quando quiseres rir alto, ri. E quando quiseres sentar-te no sofá e dizer: "hoje tomam vocês conta de mim" senta-te.

Faz tudo o que o teu coração de mãe te disser. Sem esforço. Sem custo. Porque um dia, quando forem eles a lembrar-se de como era, lembrar-se-ão sempre de uma mãe feliz. Ou sinceramente, triste. E assim, também eles serão felizes. Ou sinceros na tristeza. Mas sempre, sempre, eles próprios.

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