Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Ser mãe não é cool

Crónica de 16 / 12 / 2016

A vida era cool quando saia do trabalho, de saltos altos, e ia beber um copo ou jantar, conversar até às 9 da noite ou da manhã. Agora, ao meio dia estou a pensar se descongelo bacalhau ou pescada para o jantar.

A vida era cool quando, aos sábados de manhã, ou afinal já passava do meio dia, me espreguiçava na cama, lentamente, enquanto pedia a um neurônio para acordar o outro. Agora, seja sábado ou 4ª feira, entre as 7 e as 8 tenho um despertador aos saltos em cima de mim até que os meus neurônios liguem a bem... ou a mal.

A vida era cool quando ao telefone com os amigos, podia combinar um cinema, jantar ou mesmo fim-de-semana fora. Agora, SMS é a minha forma de contacto com o mundo e, se quiserem, podem vir-me visitar que se arranja uma posta de bacalhau... ou pescada.

A vida era cool quando jantava queijo e um copo de vinho em frente à televisão~soa enquanto via uma série. Agora, nem sei bem se me lembro como se liga a televisão... a não ser no canal Panda, claro está.

A vida era cool quando sai de casa sem pensar se me esquecia de alguma coisa, apenas com a minha mala a tiracolo. Agora, tenho de certificar se tenho cuecas 1 e 2, roupa 1 e 2, agua, chucha, amiguinho, chapéu de sol ou gorro para o frio, casaco, bolachas, iogurte, e, claro, uma pequena criatura de 18 quilos ao colo. E a minha mala a tiracolo.

A vida era cool quando arranjar-me significava tomar banho, por perfume, vestir uma roupa lavada e pentear-me. Agora, arranjar-me significa não sair de casa de fato de treino. (A não ser quando vou correr, claro.)

A vida era cool quando estar doente significava tomar um brune e ficar de molho, deitada, 3 dias. Hoje em dia, doenças significam não dormir, muito choro, não me deitar, correr para hospitais, gritar com os hospitais e voltar para casa, contente, porque afinal "é só" continuar doente e sem dormir.

A vida era cool quando não me lembrava da ultima vez que tinha arrumado a casa. Agora, à terceira vez do dia dou pontapés aos bonecos para debaixo do sofá e tenho permanentemente aberto um saco que diz "para dar" para onde atiro tudo o que for mais pequeno que a chave de casa.

A vida já fui cool. Agora é menos cool. Felizmente não é preciso ser cool para ser feliz.

Então agora sou menos cool. Mas muito mais feliz.

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