Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

A merda de ter um filho doente

Crónica de 19 / 12 / 2016

Há uma semana em casa com a minha filha doente. Fui a 2 hospitais:

98% dos acompanhantes de crianças em hospitais são mulheres. Talvez deste, 5% tenham também um homem consigo.

Não me lixem: ter um filho doente é uma merda. Especialmente para uma mãe.

Será por isto que dizem que somos sentimentais? Será por isto que somos apelidadas de lamechas? Acredito que sim.

Porque acredito que tudo parte do mesmo: nós, mães, temos um coração que bate fora de nós: bate dentro dos nossos filhos.

Atenção que isto não é um post sexista nem feminista. Não estou a dizer que somos melhores que os pais. estou a dizer que somos assim, mulheres, mães, que davam a vida pela saúde dos filhos.

A nós, mães, dilacera-nos o coração. Corrói-se por dentro, comido por algo canibal que se alimenta de nós e nos destrói.

Somos capazes de tudo, de não dormir, de não comer, de trabalhar dar banho e cozinhar mas não somos capazes disto: de ter um filho doente.

Entras num hospital e cada cara de uma mãe é uma cara de dor: noites sem dormir, febre sem baixar, cabeçadas de choro no nariz, internamentos, eu sei lá...

Ousei sorrir para uma das mães e dizer-lhe: "a febre parece ter baixado nesta meia hora, a sua filha está mais calma".

Sorriu como uma lanterna de natal: acho que ninguém falava com ela. Porque ninguém fala connosco nesta altura. Ou nós não ouvimos: tudo em nós só ouve o bater daquele pequeno coração. Aquele pequeno coração que se abraça a nós a pedir-nos que o salvemos.

E nós salvaremos. Só não sabemos ainda bem como.

Não consigo imaginar. Não quero! A dor das mães a quem de facto as doenças tocam, e insistem em ficar.... Não consigo...

E, por isso, porque no ser mãe não há nacionalidade, cor ou estatuto social peço-vos que toquem a vida de alguma criança neste natal. Façam a diferença na vida de alguma criança.

Se, todos juntos, tocarmos a vida de uma criança, talvez, e só talvez, por escassos minutos, horas, dias, não haja crianças em hospitais. Não haja crianças na guerra. Não haja crianças sem pais.

Podemos tentar? 1 criança. Tentar não custa.

<3

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