Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Um Natal às postas

Crónica de 26 / 12 / 2016

Sou filha de pais separados. Por isso, desde pequena que o meu Natal é a correr para comer uma posta com cada um.

Corre para a noite de 24 aqui. Voa para o almoço de 25 ali. Ainda falta alguém e então acelera-se para um jantar ainda a 25.

Falhámos primos, tios e outros. Falhámos. E o Natal falhou-nos a nós, os que vivem o Natal às postas.

Sou lamechas. Sou chorona. Sou carente. Sou uma seca nesta altura, admito. Sinto que, no mundo perfeito, o Natal entrava-me porta adentro sem eu arredar o cu do sofá. E era feliz assim, até de pijama e peúgas com borboto. Mas sem os quilómetros de um autocarro de subúrbio.

Qual profecia auto-proclamada, sou agora uma mãe separada com uma filha que corre e voa e acelera para poder fazer a alegria de toda a família.

Não sei o que ela sente. Ainda. Mas sei que, quando chegou o último dia de natal e ela chorou para ficarmos só em casa percebi que, tal como eu, ela não tinha mais postas para partir e repartir.

Acontece que agora eu estou do outro lado da trincheira e percebo que cada posta de uma criança, faz um adulto todo feliz. Cada minuto de um filho, um neto, um sobrinho, é um bocado de felicidade na cara de um pai, uma mãe, ou um avô ou avó.

As minhas postas de natal fazem-me não ter grande apreço por esta altura, fazem-me sentir que entre prendas e corridas, mexem-se nas feridas de uma temporária falsa solidão.

Mas são também estas vivências do natal às postas que me faz saber que cada posta é um bocado de alguém que nos ama.

E não será o Natal sobre amor?

Fica a reflexão. Que o natal, esse felizmente já passou. Já o amor é para todo o ano.

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