Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Não te demores onde não puderes amar. Ou ser feliz.

Crónica de 27 / 12 / 2016

Passei uma vida a demorar-me demasiado nas coisas.

Passei uma vida a demorar-me nas memórias de uma infância que não tive.
Passei uma vida a demorar-me em relações onde era mais importante gostar que ser gostada.
Passei uma vida a demorar-me em telefonemas que não chegavam.
Passei uma vida a demorar-me demasiado.
Em palavras que não deviam ter sido ditas.
Em momentos que não me acrescentaram felicidade.

Até com a porcaria do natal, continuo sempre a demorar-me demasiado naquilo que ele não é. Ou que é e não devia ser.

Mas este ano o natal chegou com uma prenda, numa prenda que diz para não me demorar mais onde não possa ser feliz.

Não garante isto que eu passe a ser uma libelinha permanentemente feliz. Não.
Não garante isto que, como mulher, não volte a ficar à espera de um telefonema.

Mas garante que, como mãe, me vou sempre e cada vez demorar mais na felicidade dela. Que é também minha.

Que, como mãe, vou cada vez mais fazer ouvidos moucos a quem diz como eu devia ser/fazer/acontecer.

Que, como filha, ela não se demorará tanto no que não a faz feliz. Mesmo que pareça uma tonta que só gosta de fazer o que a faz feliz.

Sim, eu queria ter sido mais essa tonta. Eu vou procurar ser mais essa tonta.

A tonta que se demora demasiado onde é feliz.

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