Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

To be or not to be uma Mãe

Crónica de 03 / 01 / 2017

Os ingleses são espertos: qual quê verbo ser e estar. Isso dá uma trabalheira!

Fica só o to be e assim a discussão mantém-se poética: to be or not to be

Nós, portugueses, dados a enredos, novelas e tricot intelectual quisemos trabalhar essa diferença, que existe!, entre ser e estar.

Por exemplo: ser e estar mãe.

Ser mãe é fácil: engravidar, nascer, alimentar, adormecer e outras simplicidades verbais semelhantes.

Não há nada contra. Aliás, apercebi-me que eu o fazia constantemente: até chegar aqui, a Moçambique, eu estava sempre ocupada a ser mãe: lava roupa, descongela jantar, estende roupa, aspira chão, limpa pó, brinca a correr, adormece rápido, lava mais qualquer coisa.

Chegámos a Moçambique. Aterrámos em casa. E, de repente, eu tinha tempo: tinha tempo para estar... além de ser.

Estar é duro. Estar, na ausência de um telemóvel sempre ligado á internet, de uma tarefa que nos permite não poder (não é que não queiramos!) brincar pela milésima vez à mesma brincadeira é, repito, muito duro.

Tens, de facto, de estar.

Andámos as duas aqui às turras nos primeiros dias: que fazíamos agora com tanto tempo uma da outra?

Felizmente, não sendo o amor de mãe nem o de filha parecido ao de um namorado ou namorada, de amigo ou de animal, o que fazes é aprender a estar.

A brincar.

A conversar.

A ficar em silêncio.

A observar.

Mas acima de tudo,

A estar.

Juntas.

Como só em português se pode estar. Porque estar é bem melhor que ser.

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