Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2017

Quem? Aquela galdéria? PPPfffffff!

Crónica de 08 / 01 / 2017

No outro dia seguia, à distância, a polémica entre um post muito partilhado e uma resposta, em reacção, também muito comentada.

Confesso-vos que das coisas que acho mais estranho neste vasto mundo da maternidade é a reacção a quem pensa ou faz diferente de nós: bruxas! galdérias! merecem o inferno!

Juro que não percebo...

Quem amamenta acha que quem não amamenta é o demo.
Quem não amamenta acha que quem o faz até tarde é totó.

Quem deixa os filhos com amas e família acha que quem não o faz é babaca.
Quem nunca deixa os filhos com ninguém acha que quem o faz é galdéria.

Quem educa os filhos a dizer sempre obrigado acha que quem não o faz cria filhos mal educados.
Quem diz sempre obrigado aos filhos acha que quem não o faz é arrogante.

Quem dorme com os filhos acha que quem não o faz é frio.
E quem não dorme com os filhos acha que quem o faz é egoísta.

Achamos sempre que quem faz diferente de nós faz mal.
Achamos sempre muito sobre o que vai acontecer aos outros.

Achamos e desejamos que corra mal a quem faz diferente de nós.
E apontamos o dedo, rígido, ao comportamento que, verdadeira seja dita, não sabemos puto no que vai resultar.

O que aconteceria a este mundo, gigante, imenso, universal da maternidade, se aceitássemos que, prognósticos só no fim do jogo e que pode haver um país a ganhar só por um golo mesmo que tenha jogado mal?

Custa-nos assim tanto que o caminho dos outros possa funcionar?
É assim tão difícil aceitar alguém que não é igual a nós?

No outro dia falava com alguém que trabalha nos EUA e me dizia que a principal diferença entre os EUA e Portugal é que em Portugal estamos sempre à procura da razão porque alguém que venceu, não o merecia enquanto nos EUA estão sempre à procura de aprender com quem venceu.

Não percebo nada de futebol nem dos EUA.

Mas parece-me que um mundo onde não sabemos aceitar a diferença, apoia-la e esperar, inclusive, que possamos todos vencer independentemente do caminho, é o mundo onde não haverá vencedores. Apenas vencidos.

E neste mundo da pouca tolerância, eu prefiro ser sempre estrangeira.

Mais Crónicas:

-->