Crónicas das Maternidade

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Autoria de Patrícia Costa
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2017

As obsessões que (me) salvam

Crónica de 11 / 01 / 2017

Sempre fui uma rapariga impulsiva. Com poucos horários. O gajo que deixava as meias no meio do chão e sapatos espalhados pela casa. Sim, era eu.

Ser mãe foi, eventualmente para a maioria das pessoas que me rodeiam, uma grande surpresa: como é que ela se vai organizar?!

Não sendo organização o meu nome do meio, sobrevivência é. Então era certo que a minha bebé se haveria de safar! Só me faltavam arranjar alguns truques para nunca me esquecer de nada... nem dela :)

Partilho convosco algumas das obsessões que carrego até hoje e que, a meu ver, são também responsáveis por a chavala chegar viva e com saúde aos 3 anos:

1 - Não obsesso com bactérias: xuxa no chão? Pá boca, que é o que faria na escola. Biberão fervido? A raça humana vive há mais de 2 mil anos sem biberões fervidos. Em equipa vencedora não se mexe.

2 - Não emprenhar de ouvido. Dúvidas? todas com a pediatra. Não há cá grupos de facebook ou amigas das amigas das amigas. De filhos percebemos todos mas de doenças? Só algumas. Chamam-se médicas.

3 - Emprenhar de ouvido. Há, contudo, fontes fidedignas de informação que ajudam a nortear esta viagem chamada maternidade. Quantas sestas e horas de sono por cada idade. Brincadeiras para cada idade. Dizer eu amo-te todos os dias.

4 - Educação. Adoro todas as teorias modernas sobre educação: nunca gritar, nem levantar a voz, explicar tudo. Mas também gosto muito de ter uma filha bem-educada então, se for preciso alguém levantar a voz, que seja eu a impor o respeito. Porque lá em casa, quem manda sou eu. (Às vezes pouco, mas essa é outra história :p)

5 - Rotina. Percebi desde cedo que garantir a rotina dela era garantir que tinha um bebé em vez de um gremlin. Os amigos e familia que me perdoem mas, se não gostam de gremlins à mesa, eu também não: fico em casa ou almoçamos todos aos meio dia. O mesmo se aplica a dormir. É que os gremlins também dormem.

6 - Rotininha. A rotina também existe para ser quebrada. De vez em quando, até pela saúde mental de todos, quebre-se a rotina. Também é importante ter crianças flexíveis ;)

7 - Obsessiva-compulsiva. Desde que a minha filha fez cocó num restaurante e eu não tinha mais fraldas e tive de a vestir com papel higiénico, que achei que não fazia mal ser um bocadinho obsessiva-compulsiva: antes de sair de casa verifico que tenho tudo que me permita não voltar para casa a correr logo a seguir. Para alguém relaxado como eu o truque é ter sempre a mochila dela com 2 de cada cena importante.

8 - Obsessiva-compulsiva cool. Uns tempos depois de ter a minha filha vestida com papel higiénico, viajamos de férias e as malas só chegaram 3 dias depois. Aí percebi que ser cool é perceber que tudo o que não tiveres, arranja-se! Não fosse o desenrasque parte do sangue português.

9 - Paciência de santo. Esta, que às vezes tenho de alugar aos céus porque me falta, poupa-me milhares de birras e anos de vida. A verdade é que depois de nos saltar a tampa não há volta a dar. Então mais vale arranjar maneira de a agua ferver sempre baixinho.

10 - Rir é o melhor remédio. Quando o circo começa a pegar fogo, eu rio-me. Na verdade a reacção é nervosa e vem de não estar preparada ao início para os primeiros tempos onde tive de me impor ou gerir uma birra. Hoje em dia tornou-se uma espécie de tréguas que me permitem não reagir antes de tempo. E ganhar tempo para pensar "que raio faço eu agora?!"

11 - Os outros. No outro dia, no aeroporto, enquanto fazia check-in, uma senhora desconhecida ofereceu um ferrero rocher à minha filha. Quando vi acho que ia fulminando a senhora com os olhos. Isto também se aplica à familia, amigos e pessoas em geral. É importante, antes de fulminar pessoas, dizer como fazemos com os nossos filhos. Se não cumprirem, então fulminem-se.

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