Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

As armas de uma mulher são a fraqueza de uma mãe

Crónica de 21 / 01 / 2017

A mulher que manda, dirige e chefia no trabalho é a mãe que chega a casa e fala docemente para compensar a sua ausência.

A mulher que se veste bem, se maquilha e usa saltos, é a mulher que chega a casa e põe um avental de culpa por não ter prazer em trabalhar.

A mulher que fala alto no trabalho, ri a tomar um copo com as amigas e assume decisões difíceis, é a que chega a casa, de coração apertado, pensando que fará tudo o que o filho lhe pedir.

A mulher que chora escondida a ver um filme, que filma o filho a dizer gugu-dada, e que confidencia sobre amor com a amiga recente, éva que muda de voz para falar de projectos, resultados e metas profissionais.

A mulher que é mae, é uma mulher frágil. Porque, infelizmente, caminhamos para um sítio onde as armas de uma mulher, são a fraqueza de uma mãe.

E a mulher que vence, é a mae que chora às escondidas.

E a mulher que chora às escondidas, é a mãe que brinca com os filhos, com uma alegria que esconde dos colegas de trabalho.

Este é o mundo que construímos. Onde chamamos igualdade a uma mulher ignorar que é mãe no trabalho. Enquanto só ela pode amamentar um filho.

Este é o mundo que construímos. Onde a mulher que manda, chora às escondidas ter mandado o filho doente para a escola.

Este é o mundo que construímos. Que as armas que achamos ter conquistado no mundo do trabalho, nos fazem esconder o quanto a gargalhada de uma crianca nos faz sorrir.

Na verdade, este nem sequer é o mundo que construímos. É o mundo que temos.

E podemos escolher outro.

Aquele onde a mulher que manda, é a mãe que chora.

Porque quem chora, sente.

E quem nao sente nunca poderá mandar bem.

Nem ser mãe de boa gente.

{vamos la escolher usar o ditado a nosso favor, que eu ca não trabalho para niguem se não para este blog ;)}

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