Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Esta na hora de te separares?

Crónica de 24 / 01 / 2017

São muitas as pessoas que, privadamente, me têm pedido para falar sobre este tema: como é ser mãe solteira?

E perguntam-me porque têm dúvidas, dúvidas se chegou o seu próprio momento de se separarem...

Bem, opiniões, se fossem boas, vendiam-se. Mas aqui ficam os meus 5 tostões.

Acho que o primeiro passo é perceber se queres recuperar o que perdeste. Não, não são as horas de sono. É a cumplicidade, são as gargalhadas, é a pouca importância "daquela" palavra ou da outra "atitude.

Sim, tudo isto sao sinais que a tua relação nao está bem.

Se queres recuperar, ou reconstruir!, algo tens de estar preparada para o passo mais decisivo de todos: mudar.

Há queixas dos dois lados, sempre! O tango, e uma separacao, dançam-se a dois. Se te agarraste à ideia que a culpa é só do outro estás enganada. E fiquem juntos ou não, nao conseguirás ser feliz.

As queixas mais típicas, das mulheres, são a falta de atenção, de carinho, de vontade sexual, de deslumbre...

Nós ficamos totalmente preenchidas por um bebé. E não, não é só temporalmente, apesar de ser uma excelente desculpa, os filhos preenchem-nos totalmente a nível emocional pelo que a outra pessoa tem de fazer um mortal encarpado e triplo mortal para uma piscina de tubarões para conseguir a nossa atenção.

Mas ele tambem tem queixas! Sim, não é justo que de repente só amemos o bebé. Sim, se nunca nos queixamos das meias dele ou dos puns no sofá porque fazem diferença agora?!

Os homens sao encostados para canto quando nasce um bebé, julgados por fazerem tudo mal, tal é o nosso espírito felino, e, muitas vezes, permitidos terem um papel que depois julgamos: o papel mais fácil.

Mas nós estamos num turbilhão de emoções e sentimos tudo, e nada do que fez sentido ate ali faz agora. Entao a terceira questao é falar. Falar muito! Falar até à exaustão!

Falar sobre a (pouca?) vontade sexual. Falar sobre o que queremos agora da intimidade, falar sobre a pessoa em que sentimos que nos estamos a transformar. Falar de tudo o que parecia fazer sentido até ali e agora, não faz qualquer sentido. Falar do sono e da pouca paciência para ele, que era o nosso amor... ate deixar de ser o grande amor...

A depressão pós-parto acontece à grande maioria das mulheres porque a maioria de nós... vive uma vida cheia de nuances que preferia não viver.

Tudo conversado. Dito e falado. Mea culpa feita. Há uma questão primordial: ainda queres aquela relação? Podes ser feliz ali? Feliz como sempre sonhaste ser e não apenas como achaste que podias ser?

Porque os fihos derrubam todas as nossas mascaras, todos os nossos faz-de-conta: se queres um príncipe encantado mas casaste com um guerreiro, mais rapidamente recebes uma espada que uma flor. E vice-versa...

Mas os filhos não são desculpa para nada... E digo-vos que a grande parte dos argumentos que oiço não são duvidas se ainda existe amor. Sao dúvidas sobre a dificuldade de quebrar aquele contrato que até funciona.

O meu quarto conselho é listar, de 1 a 5, razões para ir e para ficar. Se até à 3 não aparecer escreveres "porque o/a amo"... sê sincera e honesta, e nao dama ofendida, e diz o que sentes. Acredita que nada de mau te poderá estar guardado por isso.

Por último, diria que ser feliz dá tanto trabalho como ser infeliz: se é aí que és feliz, fica. Mas muda, o que tiveres de mudar. E muda, só se quiseres mudar.

Se não for aí, cabeça erguida e bola para a frente. Porque, enganei-te acima: na verdade dá muito mais trabalho ser infeliz do que ser feliz...

Mas isso, isso tu já sabes.

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