Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2017

Ser mãe é ter fé. Sem precisar de religião.

Crónica de 31 / 01 / 2017

Tenho fé. Não sei explicar porquê, mas tenho.

É uma fé de mãe, uma fé que só as mães percebem.

Eu tenho fé que encontrarei a vida onde posso fazer o que gosto e sustentar-me a mim e à minha filha. (É que aqui não há marido rico nem pobre, há só uma família solitária).

Os mais cépticos olham-me de lado e acham que estou maluca.

E eu respondo: eu sou mãe, eu tenho de ter fé!

As mães têm fé sem precisar de religião. Temos fé porque somos mães, isso chega.

Temos fé que aquela febre não vá subir.

E temos fé que todo o mimo que damos se traduza numa criança com muito amor próprio.

Temos fé que aquela correria não vire uma queda.

E temos fé que o primeiro amor não lhes vá partir o coração.

Eu tenho fé, não tenho plano. E não sei porque tenho fé...

Mas tenho.
Tenho fé que o amor vence.
Tenho fé que querer ter tempo para a minha filha tem de ser uma opção. Que pague as contas. Com o meu trabalho.

Muitas vezes tive fé e a febre subiu.

Outras não pensei nisso e a queda resultou em sangue a jorrar da boca e no meu coração parado.

Mas nunca posso deixar de ter fé.

Fé. Que ela terá sempre uma mão por baixo das suas quedas.

Fé. Que ela terá sempre umas braçadeiras no seu pequeno coração.

Fé. De uma qualquer que tanto me faz religião.

Pois todas nós, mães, temos fé que a febre não suba.

E eu tenho também que vou conseguir tomar conta de nós.

Uma vez terei razão. Que é o que basta para a fé viver.

Mais Crónicas:

-->