Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Amar um filho é peanuts. Já amar a populaça...

Crónica de 06 / 02 / 2017

Não há almoços grátis!

Olho por olho dente por dente!

Ninguem dá nada a ninguém!

São só alguns exemplos de lições da vida "à seria", de quem já não tem ilusões nem fantasias. Dizem, pelo menos...

Há uns 500 e 30 anos atras, na faculdade, tirei uma licenciatura em psicologia onde, ente outros, estudamos sobre se o altruísmo existia ou não.

Enquanto uma linha mais fofa falava do Gandhi e da Madre Teresa e outras aves raras, outra, mais científica, teimava em mostrar que, no corpo e até cérebro de quem "dá" há uma sensação de recompensa por dar que os faz ficar a ganhar.

Ou seja, quem dá só dá porque se vai passar a achar o maior.

E enquanto de debate de se deve ou não obrigar crianças a partilhar brinquedos e a beijar a ia velha e desdentada, quando se fala de dar dinheiro ou casa ou boleia a um amigo desempregado, toda a gente assobia para o lado.

Sim, sei-o bem: quando o cinto aperta e o barco abana, sobra a família e poucos amigos para ajudar a passar a tempestade.

Ninguém dá nada a ninguém!

E eu até podia ficar por aqui.

Mas não. Sou gaja de copo sempre cheio, nem que seja de ar...

E quando, de repente, à beira de uma urgência com a minha filha, vejo saírem dos escombros amigos, conhecidos e indecifráveis para me emprestar casa, dar boleia, visitar, emprestar medicamentos e tantas outras melhorias da alma, não posso, como mãe, deixar de pensar:

sim, o puto não tem só de emprestar o brinquedo, tem mesmo de o dar para perceber que, no mundo, ficar a perder também e ficar a ganhar.

Tenho uma gratidão infinita por todas as pessoas que gratuitamente me ajudaram nestes dias.

Mas tenho mais do que isso: tenho a certeza que, como mães, temos essa responsabilidade: ensinar os nossos filhos a amar o outro. Gratuitamente. Como se fossem seus irmãos.

Porque não, eles não descendem da monarquia. Logo, ver na populaça um primo, um irmão, um próximo só lhes fica é bem.

Obrigada obrigada obrigada a todos que incondicionalmente estiveram lá estes dias.

Fizeram-me perceber que nem tudo está perdido.

Amar um filho é fácil. Amar o próximo, também.

Não nos esqueçamos nunca de lembrar os nossos filhos disso.s

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