Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Amor e filhos... ou amor ou filhos?

Crónica de 13 / 02 / 2017

Ontem, depois de um almoço em grupo, fomos à praia.

Éramos um grupo grande, 3 casais, e duas mães com filhos.

Um destes casais é-me muito próximo: amigo de longa data, tem uma filha da idade da minha, separou-se na mesma altura que eu. É como se fosse eu. Mas em gajo.

O almoço foi animado. O mar estava quente. E, rapidamente fomos todos aproveitar estas ondas do indico que, regadas pela boa companhia e pelo bom almoço, chamavam por nós quais sereias chamam pelos marinheiros: um espécie de feitiço!

Sim, feitiço. Especialmente as crianças. Raisparta os gaiatos que adoram praia e ondas e mergulhos e brincadeira!

Sim, feitiço, o do amor, por um lado. Onde, de soslaio, via os vários casais a dar beijinhos, a flutuar nos braços um do outro, a atirar água um ao outro e a rirem-se adolescentemente, a passarem dos beijinhos aos beijos, a sorrirem de orelha a orelha. Numa felicidade plena. Nos braços do seus amor em pleno Indico de águas quentes que aqueciam ainda mais, como se possível fosse, a paixão que estavam a sentir.

Mas porque digo eu que via de soslaio? Porque eu e a outra amiga, também com um amor nos braços, vivíamos o feitiço de forma diferente: os nossos amores, os catraios, estavam mais endiabrados que enfeitiçados e, entre a água toda que nos mandavam para os cornos e nos faziam engolir pirolitos enquanto esperneavam qual galinhas à beira de serem degolados, deixavam pouco espaço a que se escrevesse uma história romantic no Indico, a não ser talvez a história romântica da mãe que fugiu a correr de uma praia no Indico.

Benzam-se as mães porque nenhuma de nós fugiu e os putos, qual apaixonados, também nos olhavam como se fossemos as maiores do mundo.

Mas eu, cabecinha pensadora e sempre a activar as sinapses não conseguia deixar de pensar que os filhos nascem do amor. E aos filhos tem-se muito amor. Já amor e filhos na mesma tirinha de banda desenhada é mais complicado. Difícil mesmo. Impossível, quase.

Deve ser só inveja. Espero que sim. A bem de todos os mergulhos no Indico que ainda tenciono dar. (Ainda que com um diabrete acoplado).

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