Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Os filhos servem para? Nos envergonhar, claro!

Crónica de 17 / 02 / 2017

Sim, os nossos filhos servem para nos envergonhar. Embaraçar. Fazer corar até as entranhas.

Os filhos servem para nos envergonhar quando vamos a casa de amigos com outros filhos e eles roubam logo os brinquedos das mãos das outras criaturas.

Servem para nos envergonhar quando vamos ao jardim e nos cruzamos com uma colega com filhos a quem decidem atirar algo à tromba.

Servem para nos envergonhar quando estamos num jantar de família e decidem atirar a comida para o chão entre um choro e uma gritaria.

Os filhos servem para nos envergonhar quando estamos num telefonema de trabalho e eles decidem que é a altura certa para pegar naquele vaso de faiança e guardar lá legos que nos faz mandar um grito que ensurdece o outro.

E servem para nos envergonhar quando passamos uns dias em casa de uns amigos e decidem ocupar todo o ambiente com uma música de gritos e choro.

Os filhos servem para nos envergonhar quando no supermercado gritam e esperneiam porque não varrem uma prateleira de chocolates e outras cenas açucaradas.

E servem para nos envergonhar quando dão um pum num jantar entre amigos.

Os filhos servem para nos envergonhar. E ainda bem.

Já dizia Freud que primeiro procuramos sobreviver, depois gostar de nós e, só no fim, compreender as regras de uma vida em sociedade.

O que significa que para as crianças importa mais brincar e jogar que saber distinguir os talheres da carne dos do peixe.

Significa que as crianças divertem-se mais até com as migalhas do chão que com as conversas de seca dos adultos.

E eu fico feliz. Feliz que ela prefira sempre ser criança a ser um mini-adulto. Feliz que ela prefira conhecer o mundo do que agradar a um bando de adultos aborrecidos.

E feliz porque, como cá se fazem cá se pagam, tenho uma vida pela frente para a envergonhar eu.

E digamos que uma cota chata tem muito mais potencial que uma criança brincalhona.

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