Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

O mimo. E os mimados.

Crónica de 20 / 02 / 2017

Cada vez mais as mulheres são mães tardiamente.
Cada vez mais somos mães de um filho só.

Não sei vocês, mas eu, se pudesse, mimava a minha filha daqui ao infinito grande - como dizemos entre nós - de volta e novamente até ao infinito maior.

Eu, se pudesse, tinha a filha mais cheia de mimo do mundo.

Estas mães tardias, juntam-se a uma era onde a tendência é defender o mimo:

  • dormir com pais? sim!
  • levantar a voz? não!
  • escolherem o que comem? sim!
  • serem ditos que não? não!

Esta era, que defende as crianças por oposição a eras passadas que, supostamente não o faziam, ajuda as mães recentes a criarem filhos cheios de amor. Abraços. Beijinhos. E uma quanta falta de educação.

Sim, falta de educação.

Porque a fronteira entre não saber dizer não. Não saber preparar para o mundo onde não são reis. O mundo onde a mãe, cheia de sentimentos de culpa sabe-se lá porquê, deixa os meninos e meninas fazerem tudo, é um mundo onde as crianças são muito amadas. E também muito mal-educadas.

Atenção. Não me interpretem mal. Não sou melhor.

Tenho tido uma luta interna grande. Entre querer que a minha filha seja a mais amada do mundo. Mas perceba que dizer por favor e obrigado não tem a ver com amor.

Entre querer falar com ela sempre num tom de anjo com asas cor-de-rosa. Mas lhe mandar um berro quando a vejo empoleirar-se num muro de 4 metros.

Entre ouvir sempre a opinião dela. Mas explicar-lhe que quem decide que não se come bolo de chocolate às 9 da manhã sou eu.

Sim. Eu, Patricia, assumo: luto a luta do mimo versus mimados.

Mas sabem que mais? Antes eu que ela.

Porque deste meu esforço, há-de ficar um pouco dos dois. Há-de ficar um pouco de amor e um pouco de mimo.

E prefiro que tenha um pouco de cada. Que zero de algum dos dois.

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