Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Um milagre chamado 3 anos

Crónica de 28 / 02 / 2017

Sempre disse, a brincar, que quando chegasse a idade do armário a enviava para os campos de arroz na China... fazer trabalho comunitário, claro!

Para o que ninguém me preparou foi para a primeira idade do armário, aquela que na verdade se passa sempre fora do armário: a idade das birras. Ou os famosos 2 anos.

Agora que ela fez 3 anos posso confessar: há dias na vida de uma mãe de uma criança com 2 anos que pensas seriamente em deixa-la num armário. Assim insonorizado. Com um buraco pequeno para passar comida.

Quando me vão perguntando: "que giro! ficas em casa com ela! Quem me dera!" eu penso logo: " está bem meu amor, então podes já levar uns dias que é para veres que de giro não tem nada, dá na verdade muito trabalho... trabalho esse para onde vais querer voltar a correr assim que levares com a primeira birra."

Ah, não. A minha filha nem sequer é difícil. É, na verdade, alguém que nem nunca fez das piores birras. Quer dizer, lembro-me de parecer uma criança torturada quando não comprei a porcaria do peluche de 50 euros, e de chorar baba e ranho quando não lhe dei M&M ao pequeno-almoço ou de se esconder no armário aos berros porque não a deixei sair de casa de cuecas. Mas, fora mais alguns episódios que prefiro não revisitar, não foi daquelas que faz capa de revista ou publicidade a preservativos dizendo: "Não tenha filhos. Saiba aqui porquê."

Depois fez 3 anos. E, desculpem lá os cépticos, mas eu acredito em magia, tal qual acredito em bruxas: há coisas que não têm explicação, logo são milagres!

Aos 3 anos, em vez de birras, conversamos sobre os assuntos.
Aos 3 anos, as birras são sinal de sono, e não de que se sente torturada por uma terrível ogre.
Aos 3 anos, o choro dá lugar a um doce beicinho.
Aos 3 anos, em vez de pedir 10 vezes, consigo pedir só 3.
Aos 3 anos, cancelei a inscrição dela, antecipada, como voluntária nos campos de arroz.
Aos 3 anos, volta a magia, e a ilusão de que ter filhos é a melhor coisa do mundo.

Porque quem sabe disto, sabe certamente que haverão mais umas 580 mil fases do armário, ou fases que bem preferíamos era que eles estivessem trancados num armário, antes da oficial fase do armário.

Mas, pelo meni, existem estas: onde, como se tivessem nascido ontem, olhamos para eles e pensamos: ah, são ou não são as crianças o melhor do mundo?!

(como fez 3 anos há 1 mês, estou em crer que ainda posso estar iludida uns meses :p)

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