Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Tropeçar na nossa própria felicidade

Crónica de 02 / 03 / 2017

Voltar de férias.

E ter um ramo de flores da vizinha.

E uma família do andar de baixo inteira à espera de nos abraçar.

E um recado cheio de corações da senhora que nos passa a ferro.

E uma mensagem da melhor amiga a dizer que vai aparecer, independentemente do nosso cansaço.

E vários telefonemas da avó, pai, irmão.

E mensagens da vizinha do lado a perguntar se chegamos bem.

E instalamo-nos. E respiramos. E olhamos à volta.

A minha filha tropeça, emocionada de rever os amigos.

A minha filha, emocionada, balbucia palavras nervosas de tanta pertença que se tinha esquecido.

Porra... quase que não nos apercebíamos que éramos tão felizes!

Paro para fazer xixi. Olho à volta. Tenho, brevemente, de voltar à lufa-lufa de lavar e estender e apanhar roupa. De aspirar, varrer e disfarçar migalhas. Fazer almoço, lanche e jantar.

E estou feliz. Tenho, à minha volta uma riqueza infinita que conquistei sozinha: tenho amigos. Tenho tantas pessoas que gostam de mim. Tenho tanto amor, carinho e amizade à minha volta.

É impressionante que às vezes seja preciso tropeçar na nossa própria felicidade para nos lembrarmos dela...

Mas eu, quero lembrar-me, aqui e agora, que sou feliz. Posso não ter tudo. Posso até, talvez, não ter nada.

Mas tenho aquilo que nada nem ninguém pode comprar: pessoas. E que mais pode uma mãe querer se não um numero infinito de braços para a abraçarem a si e à sua filha, nos momentos bons e nos momentos maus?

Nada. Digo-vos. Mais nada.

Há tropeções maravilhosos. Tropeçar na nossa própria felicidade é um deles.

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