Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2017

Como se faz um filho feliz?

Crónica de 14 / 03 / 2017

Há anos passou um filme com um excerto que nunca esqueci, chamava-se Miss Detective e, em algum momento, para mostrar que era exactamente o que se espera de uma Miss, a Sandra Bullock responde que o que pretende é Paz no Mundo.

Obviamente todos queremos Paz no Mundo mas aquela expressão, de desejo como símbolo de está tudo bem ocorre-me várias vezes.

No mundo das mães, a Paz no Mundo é um filho feliz.

Sim, quando eles são pequenos todas as mães dizem, de peito inchado e à boca cheia, Só quero que ele seja feliz!

É uma grandessíssima treta, digo-vos desde já.

Porque essa máxima bonita do Só quero que ele seja feliz! dura até às primeiras tatuagens ou namorado com ar duvidoso. Dura até às primeiras más notas ou pedido de sair à noite. Dura até ao primeiro emprego a servir à mesa ou primeira chamada da directora da escola.

O Só quero que ele seja feliz! dura até os nossos filhos não serem quem nós gostaríamos que eles fossem. Mas que eles podem ser, ou não.

Atenção. Pode nunca vos acontecer. Há filhos que nunca desiludem. São até motivo de orgulho para vários primos, primas, tios, avós e até vizinhos.

Depois existem outros. Que talvez se percam na procura deles próprios. Ou da felicidade. Ou simplesmente escolham divagar pela vida. Irem viver para a praia em Bali. Explorar a Amazonia ou os Mosteiros do Tibete.

E nós pais, ex-adolescentes com percursos já, mais ou menos assentes, somos ou não capazes de os aceitar? de aceitar que o Só quero que ele seja feliz! possa ter uma imagem diferente da que idealizamos?

E se tivermos vários filhos? O que fazemos quando os filhos começam a ser felizes à maneira deles? E uns mais felizes que os outros, como dizia o Orwell?

Não sei, confesso.

Mas sei que vou ter tendência para achar que sei o que é melhor para ela. Acharam os pais todos em todas as gerações. Vamos achar todos também.

No caminho, de achar que sei, não me posso esquecer de lhe perguntar o que ela acha. E o que ela sente.

E se for feliz isso sente-se. Mesmo que seja à maneira dela.

Mais Crónicas:

-->