Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

O tipo certo de tipo

Crónica de 15 / 03 / 2017

Passei uma vida inteira a gostar dos homens errados.
Passei uma vida a achar que, o momento da Cinderela moderna é conseguir que um homem indisponível se apaixone por ti.

E fui sofrendo. Chorando. Duvidando cada vez mais.

Depois fui mãe. (Felizmente com um homem que, não sendo o certo, também não era o errado.)

Ser mãe mudou toda a minha visão do amor: como gostava eu que amassem a minha filha?

Esta é, aliás, a pergunta que muda o rumo de qualquer conversa entre um homem e uma mulher: como gostavas que amassem a tua filha?

Apesar de estar separada, não estou, obviamente, o dia todo no mosteiro :) Saio à rua, converso com pessoas, conheço gente.

E percebi que o tipo certo de tipo nunca mais foi o mesmo.

Não me interessa mais que não me liguem. Interessa que me abram a porta.
Não quero mais saber que não saibam quando podem. Prefiro receber uma mensagem inspiradora.
Não me interessa mais que não gostem de mim. Aquilo que me interessou uma vida inteira, conquistar o outro, não me interessa mais: agora, eu também quero que gostem de mim.

Que me puxem a cadeira para sentar.
Que dancem comigo no meio da sala.
Que me beijem.
Que me mimem.
Que me façam sentir amada.

Sei-o por uma simples razão: porque não quereria nada menos para a minha filha. Então porque não querer o mesmo para mim?

A pergunta é crua. Mas dissipa toda e qualquer dúvida. Como uma lixívia do amor.

Como é que o sei? Porque no outro dia, à conversa com alguém, disse-lhe que, amigos amigos, negócios à parte: eu não quereria para a minha filha, uma pessoa como ele: indisponível.

E olharmos no espelho, pela de uma criança, desarma qualquer um: estamos muitas vezes dispostos a viver bem com a ideia que damos menos do que os outros merecem, a não ser que os outros sejam uma criança:

uma criança obriga-te, sempre, a pensar na melhor versão de ti próprio.

A pessoa ficou ofendida. Porque uma coisa era não ter contas certas com um adulto. Outra era perceber que estava aquém do que se quer para uma criança. Porque para uma criança quer-se sempre tudo.

E foi assim que percebi. Foi assim que percebi que o tipo certo de tipo é sempre um tipo que seria fixe para a minha filha.

Não sei o que ele faz.
Não sei quem ele é.
Sei que gosta dela.
E ela dele.
E são felizes ao gostarem um do outro.
E por gostarem um do outro.

Mesmo que, eventualmente, eu garanta assim, para mim, mais uns bons anos de solteirice :p

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