Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Sexo depois do parto. Toda a verdade.

Crónica de 20 / 03 / 2017

"Amor, estou grávida!"

Começam, mais coisa menos coisa, assim todas as bonitas histórias de amor por um novo ser.

E começa muito bem porque significa, entre outras coisas, que estas pessoas têm uma vida sexual minimamente interessante!

Na minha cabeça, dois momentos se desenham na cabeça do homem, o pai, como os mais desejados daqui para a frente:
1. o dia que conhece o seu filho
2. o dia em que a vida sexual volta a ser normal

E 9 meses decorrerão.
Que mesmo que este homen seja atencioso, talvez nunca massaje os pés inchados de um corpo em mudança.
Que por mais que este homem seja atento, dormirá sempre sem o peso de uma bexiga sem espaço.
E por mais que este homem seja feminista, pouco provável será que deixe de fazer as tarefas que a sua mulher faz, enquanto o seu corpo cresce, o seu coração bate mais rápido, as suas costelas ficam sem ar e toda, mas toda a sua vida se vai transformando. Sem ninguém ainda dar conta.

Passam 9 meses. E chega o primeiro momento: conhecer aquele ser humano tão desejado, tão amado.

E este ser humano nasce. Sai, da forma possível mas sempre inesperada do corpo onde esteve 9 meses.

Sai à força. Ou à faca. Sai à bruta. Sai com sangue. Com cortes. Sai.

Olhas para o teu corpo e não, não foi agora que ele saiu que ficaste igual ao que estavas antes. Nem pensar. O teu corpo vai demorar mais 9 meses a equilibrar as hormonas. Ao teu útero voltar ao sítio. Ao teu coração bater normal.

Mas ainda não deste por isso. Não. Porque as transformações não acabaram neste corpo que acabou de trazer um ser humano a este mundo.

Vais descobrir que as tuas mamas dão leite. Leite! E que o teu bebé vai tentar puxa-lo e sabe onde está. Vais perceber que o teu corpo não é um corpo. É uma máquina. Muito bem desenhada para a sobrevivência. Do teu filho, claro. Tudo no teu corpo vai estar ao serviço do teu filho.

O tempo passa. Algumas coisas vão ao lugar. Outras demoram mais. Uma nunca mais volta: a maneira como olhas para o teu corpo. A maneira como queres que te toquem, que te sintam.

Na cabeça de outra pessoa, o homem, estarão a caminhar, felizes, para o momento dois: o momento que a vida sexual volta a ser a mesma.

Mas tu já sabes que não volta. Que nunca mais volta.

Esta é um momento muito difícil...Deixa-me dizer-te isto: a culpa não é tua.

Não tens de fazer de conta que nada mudou. Não tens de fazer de conta que ainda te sentes dona e senhora do teu corpo. Não tens de fazer de conta que o sexo é bom. Já. Logo. Tens de te dar tempo. O teu tempo. O tempo que precisares. Que quiseres. O sexo não és só tu.

Está escrito, nos livros, que o outro (marido, namorado, companheiro) tem um papel decisivo: é ele, sim ele, que te deve procurar devagarinho, dar-te carinho, tocar-te sem pressa, mimar-te, cuidar de ti, sem ser pelo teu corpo. Apenas pelo amor a ti. Respeito por ti. Para cuidar de ti.

Porque o sexo pode nunca mais voltar a ser o mesmo. Mas o amor pode aumentar. E onde há amor, acabará por haver sexo. Aliás, foi onde esta história começou não foi? :)

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