Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Finalmente descobri o meu talento!

Crónica de 22 / 03 / 2017

Há quem aos 5 anos já saiba o que quer ser. E passa uma vida a trabalhar para isso.

E depois há quem passe uma vida a pensar em qual será o seu talento.

Eu sou o segundo tipo de pessoa.

De emprego em emprego. De tentativa em tentativa. Eu sou aquela que passou uma vida com a certeza que não tinha certeza nenhuma do que fazia bem.

Fiquei desempregada.

Fui mãe.

Continuei desempregada.

Já não havia muito como disfarçar: o mundo punha os olhos em mim e, já pouco discretamente questionava-se: e então? mas que raio vais tu fazer?!

Não lhes conseguia dizer que, acima de tudo, achava que não sabia fazer nada. Não conseguia fazer nada... Eu? Eu era boa em andar à procura. Em tentar. Procurar. Recomeçar...

E enquanto uns são cientistas e sempre foram. Outros são rangers do mato e sempre o quiseram ser. Outras gostam de cor-de-rosa desde que se lembram. E Outras fazem aquilo que sempre souberam fazer bem, eu.... euzinha... eu deixei de fazer puto de ideia. Quanto mais velha? Pior. Menos certezas. Mais duvidas. Quantos mais crescida? Mais uma criança frágil me sinto.

Mas escrever num blog pode traz-te muita coisa. Uma, que te traz inevitavelmente, é contacto com pessoas.

E ou por ser muito informal, ou muito desbregada, ou uma tagarela, ou uma mãe pratica, solteira, ou, vai-se a ver, uma gaja até porreira, fui, naturalmente, conhecendo muitas pessoas através do blog.

Férias com a T, passeios com a J, fins-de-semana com a R... daqui, deste pequeno canto chamado blog, têm surgido imensas pessoas que passaram a fazer parte da minha vida.

E de repente percebi: eu sou boa com pessoas! o meu talento é dar-me com pessoas!

Pffffff!!!!

Diram talvez alguns de vocês. Mas que raio de talento é esse?!

É o melhor. É o melhor e maior de todos.

O mundo é feito de pessoas. São as pessoas que fazem o mundo. Fazem os empregos. fazem os afectos e dão abraços. fazem revoluções e votam em partidos. Ou despedem partidos. São as pessoas que fazem filhos. E são pessoas que cuidam dos filhos quando os pais não podem. São pessoas que descobrem a cura para as doenças. E as curam quando estamos doentes. São as pessoas que quando nos sorriem transformam os nossos dias. São as pessoas que fecham negócios.

O mundo é feito de pessoas. Depois disso, são as pessoas que fazem tudo.

Por isso deixem-me que vos confirme: ser boa com pessoas é o melhor que há. É estar bem com quem pode mudar o mundo. Trazer a Paz. Acabar com o desperdício. Ensinar as crianças a ler.

Ser boa com pessoas é estar bem com o inicio de tudo o que é bom.

E depois? depois podem vir os cientistas, médicos e engenheiros fazer o resto. Também têm de ter algo para fazer, não? :p

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