Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Vencer num mundo masculino.

Crónica de 23 / 03 / 2017

Por Inês Ponte Grancha: (Podem seguir a Inês no facebook ou no instagram)

Era uma vez uma menina que adorava barbies, ballet e vivia no mundo encantado das princesas quando o pai lhe chegou a casa com um kartcross! Hummm… Coisas de menino, pensei eu com 9 anos!

Desporto de rapazes é verdade, mas pelo qual me apaixonei de imediato. Todos os dias chegava da escola e a primeira coisa que fazia era dar umas voltas na pista no meu carro, sempre a tentar seguir as quinhentas mil instruções do pai que parecia que estava a treinar-me para o campeonato do mundo!

Apesar de ter irmãos rapazes, nenhum seguiu estas pisadas e a verdadeira insistência do pai foi comigo mesmo. Porquê? Não sei… Ele também não! Mas ainda bem 😊

Os anos foram passando e depois de alguns anos a pilotar, experimentei o lado direito do carro, o banco de co-piloto. Apenas com 16 anos… E sem estar à espera A-M-E-I!! Mais do que conduzir. Mais do que qualquer desporto que já tivesse praticado.

Qualquer coisa me disse: “É isto!! É isto que quero fazer”. E a partir daí até hoje nunca mais deixei o “trabalhoso mas fascinante” banco do lado direito e estabeleci objetivos e metas a atingir.

A faculdade e a profissão de fisioterapeuta vieram depois. Ser mãe também. E toda esta “complexidade” em que se tornou a minha vida me faz feliz e completa. Consigo ser mãe, mulher, co-piloto e fisioterapeuta. Consigo ser EU em todas estas “profissões” e consigo vencer em todas elas.

E não é que no ano passado consegui ser ###a primeira mulher a ser Campeã Nacional de Ralis em Portugal!!

Fez-se história… e para mim não foi uma vitória só minha, mas sim uma vitória para todas as mulheres que “trabalham” num mundo maioritariamente masculino!

Perguntam vocês: “o que é um co-piloto?” Pois bem… ser co-piloto é um trabalho de muita responsabilidade, exige concentração, profissionalismo e perfeccionismo. Temos que ter a capacidade de criar uma empatia com o piloto e equipa mas também de manter a frieza porque somos submetidos a situações de grande stress.

Mas isto de sermos mulheres (e giras) num mundo de homens não é tarefa fácil. Comecei muito miúda e sentia que estava sempre a ser posta à prova para além dos constantes comentários masculinos, como por exemplo: “mas também mudas pneus?” ou “não vou falar contigo sobre os problemas mecânicos porque não vais perceber nada”, entre outros que é melhor nem partilhar…

Como ao longo dos anos a minha postura no meio e os resultados foram falando por si hoje em dia é completamente diferente. Sinto que já não estou sempre a ser posta à prova e tratam-me com imenso carinho e respeito.

E como acho que devemos tirar lições de tudo na vida, aprendi como co-piloto que temos que estabelecer objetivos e fazer os possíveis para os alcançar porque não há impossíveis.

Passei a ser uma pessoa mais focada, ainda mais perfeccionista e ensinou-me que as relações humanas e interpessoais são muito importantes em tudo o que fazemos na nossa vida.

Tanto como co-piloto como fisioterapeuta aprendi que a vida tem que ser vivida, não como se não houvesse amanhã, mas tem que ser muito bem vivida e temos que aproveitar cada momento porque não sabemos o que pode acontecer no dia a seguir.

A todas as mulheres quero dizer que temos que ser seguras daquilo que somos, não duvidar das nossas capacidades e somos tão ou mais capazes que os homens de vencer neste nosso mundo!

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