Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Ainda a tentar ser a melhor mãe do mundo?

Crónica de 26 / 03 / 2017

Ainda tentas ser a melhor mãe do mundo?

Evitar aos teus filhos as feridas que tu tens?

Olhar para eles, pensar que os pouparás ao que sofreste, querer dar-lhes todo o amor do mundo?

Sim. Nós nunca queremos que os nossos filhos tenham as nossas feridas. As nossas dores.

Esforçamo-nos. Estamos presentes. Choramos por dentro quando temos de ser autoritários.

Porquê? Porque tenho de me zangar contigo? Não quero! Quero só amar-te!

Não. Não terão a tua sensação de abandono. Não terão a tua solidão.

Serão sempre amados. Acarinhados. Com pais sempre presentes.

Querias. Desejavas tu.

As nossas feridas nunca saram... Fecham mas não saram.

E os filhos não são o paracetamol do nosso passado. Muito pelo contrário. Eles são aqueles que nos vão abrir as feridas outra vez. Para percebermos que só há uma maneira de as sarar: deixa-las estar lá atrás, no passado.

Porque os filhos vão rezingar e berrar e atirar coisas para o chão. Porque os filhos precisam de limites e regras. Porque os filhos precisam que os amemos no agora. No já. E também no futuro. Nunca no passado.

E ama-los no futuro é também prepara-los. Prepara-los para as expectativas e para a frustração, para os amigos mas também para a solidão, para o descanso e para a exaustão.

Ama-los é dizer-lhes que nunca iremos embora. Estaremos sempre ali. O que não significa que sejamos estatuas de amor. Não somos. Somos pais e pais educam.

Por isso descansa. Não sofras quando o teu filho não é o que desejavas. Não te zangues quando tu não és a mãe que gostavas.

Porque tu és como um arco-íris: tens muitas cores em ti. Tens sol e tens chuva. E tu és a mãe com que ele sempre sonhou: aquela que vai estar sempre lá, a seu lado."

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