Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

São rosas, senhor.

Crónica de 30 / 03 / 2017

Não, não nos tornamos mulheres quando casamos.
Nem quando perdemos a virgindade.
Não nos tornamos mulheres quando damos o primeiro beijo.
Ou temos o primeiro namorado.

Tornado-nos mulheres quando somos mães.
Aquele momento em que percebemos o verdadeiro significado da palavra amor.
Aquele momento em que percebemos que não há dor, sofrimento ou tristeza nosso que volte a ser mais importe que um sorriso, gargalhada ou alergia daquele pequeno ser.

Choramos. Sempre. Muito. Quando nascem. E para sempre.

Porque as lágrimas são amor que transborda de dentro de nós. As lágrimas são o pão transformado em rosas. As lágrimas são a lembrança, permanente, que deixámos de ser meninas. Crianças. Amantes. Agora somos mães.

Como uma lente que muda para sempre.
Com uma força que transforma pão em rosas.
Amor em lágrimas.

É bom. Não é mau. Mas há uma menina que desapareceu para sempre.

Uma menina que não voltará a pensar em si primeiro. No que quer. Ou lhe apetece. Ou desejava.

Uma menina que nunca mais vai apenas escolher os seus brinquedos.

Uma menina que se tornou mulher. E agora vê o mundo maior. O futuro mais longo.

Por isso choram as mulheres.

Não por serem frágeis. De todo. Choramos por saber que, em nós, está o milagre da vida. A chave do futuro daquela criança. As raizes de vidas que ainda nem começaram.

São rosas, senhor.

Porque assim é o amor: tudo transforma. Pão em rosas. Amor em lágrimas. Meninas em mulheres.

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