Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Desculpem. Desculpem-me ser mulher. Mulher forte.

Crónica de 01 / 04 / 2017

Mãe, desculpa-me. Desculpa-me teres-me ensinado a ser forte e auto-suficiente. E a acreditar que devia ser igual a um homem. E, afinal, eu ser romântica. E gostar de estar em casa. Cozinhar. E ser mãe.

Pai, desculpa-me. Sei que preferias que fosse mais recatada. Risse mais baixo. Preferisse passar despercebida a ser notada. Quando, na verdade, falo mais alto que qualquer homem, rio mais alto que qualquer mulher, tenho mais opiniões que qualquer pessoa.

Avó, desculpa. Sei que achas que uma mulher está mais protegida casada. E ousei separar-me. Ficar sozinha. Aventurar-me. É que se ser casada não é sinónimo de ser feliz, lamento, mas não consigo.

Sociedade, desculpa. É suposto ter um grande cargo para ter opiniões. Não tenho. Mas estudei política económica, leio bastante e não consigo não ter algo a dizer sobre o mundo de hoje: este mundo um bocado conspurcado onde manda o dinheiro e pouco mais.

Igreja, desculpa-me. Era suposto ter fé. E ser igual aos que têm fé. Quando a minha fé existe, mas é diferente: a minha fé é que somos todos iguais, independentemente da pessoa em quem acreditamos que nos vai ajudar neste percurso chamado vida.

História, desculpa-me. Sei que era mais fácil se preferisse me juntar às conversas de tricot e bordado. Mas acho mesmo piada é às conversa de política económica e geopolítica. Sabes, estudei e a informada de facto ocupa lugar.

Filha, não me agradeças. Sim, és igual aos homens. Eventualmente mais interessante porque tiveste que lutar mais pelo mesmo ligar. A única coisa que fiz foi tentar facilitar-te a vida. Abrir-te caminho.

Para que tu nunca, mas nunca, tenhas de pedir desculpa por seres quem és.

Para que tu nunca tenhas de pedir desculpa por seres mulher.

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