Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Quando não chamas por mim...

Crónica de 04 / 04 / 2017

fotografia: the love project. Sigam aqui e aqui

Mamã!

Mamã!

Mamã!

Mamã!

Mamã!

Dizia a minha mãe, quando eu era pequena, que um dia lhe ia gastar o nome.

Aquilo doía-me e ficava sentida: a palavra mãe é propriedade privada de uma filha, e não de uma mãe.

Mas é curioso não é? É curioso que é ser mãe que nos explica a filha que fomos.

Mamã! Onde estás?

Mamã! Quero comer!

Mamã! Anda ter comigo!

Mamã!

De manhã à noite.
Responda eu ou não.
Por tudo e por nada.
Porque mamã é dos filhos e não dos pais. Já sabia eu não já?

Confesso-vos que tirando dias de mais cansaço, gosto de, hum... quase 75% dos chamamentos :)

Gosto que ela conte comigo.
Que sinta que lhe dou segurança.
Que queira que brinque com ela.
Que não se sinta sozinha.

Mamã! Onde está a minha chucha?!

Mamã! Tenho xixi!

Mamã! Não consigo!

Mamã!

Disse 75%?? Hum... Estou bem disposta :) Há dias que cansa não é? Há dias que parece que nos gastam o nome... Espera... o que é que eu disse?!

Naaah!

Vá. Talvez só um bocadinho. Tipo resvés Campo de Ourique. Tipo por um triz. Tipo... sim, se fosse do género de se gastar estava gasto!

Mas ainda bem que não se gasta... sabem porquê?

Porque quando não estão... quando fica aquele silêncio que só a ausência de um filho tem.. um silencio quase ensurdecedor... um silencio onde não se ouve

Mamã!

é um silêncio bom. Que eles estão bem. Que estão seguros como sempre os quisemos. Felizes como sempre desejámos. Entretidos como só uma criança saudável está.

E esse silêncio... esse silêncio, às vezes, é de cortar à faca!

É de contar os minutos até que nos voltem a gastar o nome.

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