Crónicas das Maternidade

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Autoria de Patrícia Costa
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2017

"Esqueci-me muito de mim, mas nunca da minha imagem"

Crónica de 13 / 04 / 2017

"Esqueci-me muito de mim, mas nunca da minha imagem"

Li eu hoje numa revista cor-de-rosa enquanto estava no cabeleireiro a tratar das famosas raízes.

Esta conversa da imagem, que sempre levei a brincar até ser mãe, toca-me, hoje em dia, de forma especial.

Sim, eu sei que a imagem importa. Te dá empregos e namorados. Te dá bom aspecto. Alegria. Felicidade. E é, também, um sinal exterior de bem estar interior. Sim, porque quando estamos triste não é comum termos bom aspecto.

Mas, para mim, a imagem da mulher está no centro de todos os problemas da mulher: a baixa auto-estima, os salários mais baixos, a desconsideração intelectual, etc.

Eu gosto de olhar ao espelho e gostar do que vejo. É um facto. barómetro vermelho. Madeixas e solutions de renda. Sim. Sim a tudo como parte da minha identidade feminina.

Mas como mãe, eu quero que a minha filha perceba a diferença entre parecer bem e estar bem. Como mãe, eu sei que ela é mais feliz suja, a rebolar na relva, do que cheia de folhos, sentada e bem comportada.

Também sei que quero que ela nunca se esqueça que não deve querer um emprego se for importante ter um decote maior. Mas deve quere-lo porque é inteligente, adaptativa e capaz.

Quero que ela saiba a diferença entre um namorado que a passeia e um que passeie com ela.

Quero que seja assim para ela. As amigas dela. E todas as raparigas no mundo que ela não conhece ainda: quero que a beleza da mulher seja só mais um atributo, característica, no meio de outras tantas. Que a beleza não seja um sonho seu nem lhe impeça nenhum.

Quero que acredite, piamente, que o clichê ser bonita por dentro é verdadeiro. Como é verdadeiro que queremos o que conseguimos. Que a esperança é a última a morrer. E que o amor verdadeiro existe.

Não é fácil, no mundo de hoje, não acreditar que o espelho não reflecte uma beleza interior, que não se vê tão facilmente. Nós procuramos esse indicador fácil.

O que gostava é de poder continuar a pintar as raizes, enquanto a minha filha pinta, com a mesma facilidade, as raízes que lhe possam crescer na alma.

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