Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

As horas sem ti

Crónica de 14 / 04 / 2017

As horas sem ti são dias.
São horas difíceis, onde aprendo, qual criança, a estar sem ti, a minha criança.

Habituei-me filhota, confesso, a respirar enquanto olho por ti, tomo conto de ti, cuido de ti. Habituei-me a respirar em uníssono contigo.

Não, não tenho medo que eu esteja a diluir-me em ti. Mas a velocidade das horas é outra. A intensidade também. E a alegria... a alegria, essa é incomparável: sem ti, sou apenas uma mera mortal, sem sorriso, gargalhadas, ou saltos em cima da cama.

As horas sem ti são dias em que aprendo a respirar devagar, a observar, estranha e calmamente, o mundo que me rodeia, como quem não o observa há anos. Porque não o faço, na verdade.

Há anos que olho para ti, para os brinquedos no chão, para as tuas novas acrobacias, para as migalhas que deixas espalhadas quando comes, para as gargalhadas que dás quando fazes algo novo, para a tua demasiada rápida transformação em menina.

Sei que ainda tenho muito para aprender. tenho de aprender a não estranhar estar sem ti. A não ter pena de não te poder mostrar o rapaz que passeava com um canário hoje na rua, de não te ver adormecer, descansar como a guerreira que pousa as armas.

Mas, tal como te digo quando, irritada dizes não consigo!, que tu consegues tudo, basta querer também eu conseguirei.

Para que possas sempre dizer, orgulhosa, eu consigo ultrapassar as coisas difíceis tal como a minha mamã consegue.

Até já filhota, lembra-me de te contar do rapaz que passeava um canário enquanto andava de bicicleta.

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