Crónicas das Maternidade

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Autoria de Patrícia Costa
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2017

Controlo: esta relação de amor-ódio está a dar cabo de mim!

Crónica de 18 / 04 / 2017

Nunca tive necessidade de controlo. Aliás, sempre fui um bocado "freak" no sentido em que tanto me fazia uma série de coisas: onde são largadas as meias, a que horas se come, ou mesmo se há legumes frescos no frigorifico.

Às horas que chegasse a casa, abria a porta do frigorifico e deixava-o deslumbrar-me. E era, na verdade, uma vida recheada de surpresas.

Depois fui mãe. E, o medo de falhar, o medo de não estar à altura, tomou conta de mim:

porra de 3 em 3 h??? a sério??? com 90 ml de água e 2 colheres de pó? mas... mas... isto é um filho ou um projecto de ciência nuclear?!

As crianças precisam de rotinas! repetia, para mim, própria, constantemente.

Com o tempo, esta informação ajudou-me: horas de comer, dormir, medicação, banhos, biberõe. Enquanto eu seguisse o guião estava tudo bem.

Eu consigo! Eu consigo ser mãe! Era o meu sentimento,.

Com a idade, tornou-se o meu melhor aliado: às 6 da tarde, sabemos que ela vai tomar banho, e eu vou para a cozinha, para ela jantar entre as 7 e as 7.30, antes de ser atacada pelo monstro das birras e da forme.

Sabemos quando são e quando não são dias de escola.
Sabemos que às 21.30 vai dormir.
Sabemos que, de manhã, damos bom dia uma à outra antes de sair da cama.
Sabemos. Sabemos o que esperar.
E saber organiza-nos a vida de ambas.

Ufa. Não falhei! ... Ou falhei?

A verdade é que a relação que tenho com o controle é de amor-ódio. Porque há dias que penso que talvez eu não seja flexível, que talvez seja eu que estou dependente dele e não eu a usá-lo a meu favor.

Há dias que, se às 19H eu ainda não souber o que vai ser o jantar, começo a ter tremeliques no olho esquerdo, sabendo que vai haver uma birra gigante de fome. E vou deixa-la enfardar qualquer coisa enquanto tento fazer, simultaneamente e qual Ayrton Senna, o jantar.

E aí começo a pensar.... controlo..... seu sacana! Quero ir de férias para não precisar de ti! Espera... o quê?! QUEM É QUE PRECISA DE QUEM? Tu devias ajudar-me! Andas a aproveitar-te de mim seu... seu... seu energúmeno!

O controlo faz-me lembrar aquelas bruxas más, que prometem beleza eterna em troca da tua alma.

E eu, ingénue, fraca, naïve, sempre soube que resisto pouco a prendas.

Vale-me ser um bocado bipolar. E outro bocadinho nómada. E muito, muito avessa à rotina.

As malas estão no carro. Bora acampar 4 dias :)

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