Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

O passageiro do lado: guia para viajar com crianças

Crónica de 18 / 04 / 2017

Como sabem, uma das minhas predileções na vida é viajar. Hoje em dia, viajar com a minha pequena criatura.

Avião. Caravana. Hotéis de 5 estrelas. Sofá da casa dos amigos. Tanto me faz. Eu gosto mesmo é de galdeirice, como diria a minha avó.

Com o tempo, fui-me tornando mais experiente na arte de viajar com uma criança. Para todo e qualquer destino. Em qualquer formato. Por 2 dias ou 4 meses.

Achei então que estava na altura de partilhar com vocês, para além das minhas palermices mais regulares, algumas das dicas que fui aprendendo:

  1. O TRANSPORTE: o transporte é importante por uma razão: querem saber quantas horas as vossas crias têm de ficar sem acesso ao WC (de carro, por exemplo) ou sem se levantarem do mesmo sítio (avião). Na minha opinião, até aos 2 anos o avião pode ser mais difícil pois dividem ligar convosco, querem explorar tudo, e, quando não conseguem o que querem, choram. O que não anima os passageiros do lado. A opção será escolher voos mais curtos. Claro, há sempre a hipótese de mandarem cagar os vizinhos do lado. Lá está, escolher voos curtos porque de outra forma terão inimigos de estimação para a vida. Até aos 2 anos, o meu transporte de eleição foi a auto-caravana. Mas desde aí que já faço com mais facilidade voos de longa duração.

  2. O SONO: se os vossos filhos têm dificuldade em dormir, terão ainda mais em viagens. Preparem-se. Aquela ideia de que O voo é de noite vai dormir o tempo todo só faz sentido na cabeça de quem ainda não viajou com um bebé: há crianças que estranham tudo e por isso dormirão pouco. O mesmo pode ser válido para qualquer sofá, hotel, ou tenda. Para mim, o mais importante, é estarem preparados para estas alterações e não alterarem muito as rotinas: a noite é para dormir, a tarde é para descansar (a dormir claro :p). Claro que podem decidir que dormem quando voltarem para casa mas, na minha opinião, essa escolha só vale para poucos dias. Em férias superiores a 2 dias estas escolhas podem sair caras pelo cansaço das criaturas. Especialmente porque cansaço = birras. E birras = a férias do demónio.

  3. A COMIDA: na minha primeira viagem com a Clara, levei a comida toda. A mala perdeu-se, e só ma entregaram 3 dias depois. Uma alegria. O que deu para perceber é que, surpreendem-se, há comida em todo o lado! Cozinhem, peçam para ser cozinhado diferente, deem às crianças a experimentar! Convém não esquecer que há crianças no mundo inteiro. E que não, nem todas comem do supermercado biológico, para a panela de metal xpto, para a boca da crianças, que não pode sujar as mãos. E, pasmemo-nos, estas crianças sobrevivem. A minha dica é: simplifiquem. Mesmo. (Até para não viajarem com 500 kg de bagagem...)

  4. DOENÇAS: sim, há doenças em todo o lado. Hoje em dia até já há em Portugal doenças previamente erradicadas portanto, das duas uma, ou têm medo até de sair de casa, ou apetrecham-se: 1) contactos de médicos pediatras onde vão; 2) confirmam a cobertura do vosso seguro de saúde; 3) levam kit básico: benuron, brufen, aerius, etc. O que for que gere o primeiro momento. Porque vai-se a ver e os putos só têm uma simples febre. Os sacanas.

  5. MALAS: a minha experiência é que não vale a pena levar o móvel dos brinquedos atrás. Pouca coisa, e, especialmente, coisas que ocupem pouco espaço: as novidades são sempre mais interessantes então se forem carregados... serão apenas as mulas de carga dos brinquedos que foram de férias apanhar pó.

  6. ROUPA: vejam bem o tempo que faz para onde vão... de dia e de noite! Há sítios que têm amplitudes térmicas elevadas pelo que precisarão de biquini e polar, havaianas e cobertor. Mas, na minha opinião, depois não vale a pena levar mais que 1 ou 2 de cada. É que de férias até é chique andar sujo e, assim, quando voltarem de férias e deixarem de ser chiques, escusam de ter 459 máquinas de roupa para fazer. estender. dobrar. e arrumar. (depois deste pensamento acho que chega levar mesmo só 1 de cada :p)

  7. NÃO SE BRINCA COM: o sol. o calor. o frio. os insectos. Protector solar, chapéus, água, repelente, tudo isso deve ir de casa e estar muito acessível. Claro que se venderá provavelmente, no sitio para onde vão. Mas se aterrarem e estiverem logo 40 graus, convém colocar um chapéu e protector. Só naquela dos putos não ficarem doentes logo no primeiro dia de férias. Isso é para rotos. Deixem-nos lá chegar, pelo menos, ao segundo.

  8. PODEM NÃO ACREDITAR MAS É VERDADE: A maior parte dos sítios tem lojas, farmácias, supermercados, praças, mercearias... Sim, não indo vocês para o meio da selva amazónica (e até aí se compram coisas) o mais provável é irem para um local habituado a receber turistas... looooooogo habituado a vender coisas a pessoas que se esquecem de coisas ou precisam de coisas. Estão a ver onde quero chegar? Isso. Relaxem lá um bocado: se se esquecerem de algo... não é o fim do mundo! Eventualmente, é só o fim do plafond do cartão de crédito.

  9. AI O MEU SOFÁ...: esqueçam o conforto. Deixem-se de merdas e atirem-se à vida. Viajar, diz e bem o ditado, é das poucas coisas que pagamos e nos faz mais ricos. Deem isso aos vossos filhos. Eles vão agradecer andar descalços, conhecer outras realidades, ver os pais fora da rotina. E, quando regressarem ao vosso sofá, vocês também. Agora vão, e divirtam-se! Antes que eles comecem a ir sem vocês e vocês fiquem a ganhar mofo no sofá.

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